Análise | O Predador (1987)

5 (100%) 1 vote

No final dos anos 80, houve um cineasta responsável por entregar dois grandes filmes que ficaram marcados como alguns dos melhores do gênero de ação: John Mctiernan. Se em 1988 ele causou uma revolução ao comandar o excelente Duro de Matar, um longa que traz um protagonista mais humano numa geração marcada por filmes regados a muita testosterona, explosões e brucutus musculosos, no ano anterior ele justamente dirigiu uma produção que não só possuía esses três itens como também adicionou boas doses de suspense e ficção científica. Em O Predador, Mctiernan apresenta um filme B de grande qualidade, além de apresentar um dos vilões mais enigmáticos e cativantes do cinema.

Particularmente, por mais que eu idolatre Curtindo a Vida Adoidado e O Grande Dragão Branco, o longa estrelado por Arnold Schwarzenegger, um astro já em ascensão naquele momento, tem uma vaga garantida no meu coração cinéfilo nostálgico, graças às sessões do Domingo Maior (numa época onde valia a pena assistir TV até altas horas da madrugada). Sempre que o revejo, noto uma obra que envelheceu muito bem, auxiliada tanto por uma boa equipe técnica quanto por um bom elenco e cenas marcantes.

Ambientado numa selva da América Central, o filme foca num grupo militar de resgate enviado para encontrar uma importante autoridade desaparecida. Liderados pelo musculoso e confiante Dutch (Schwarzenegger) e acompanhados de perto pelo agente da CIA, Dilon (o eterno Apollo Creed da franquia Rocky, Carl Weathers), essa mortal equipe acaba se deparando com um perigoso guerreiro alienígena, que usa a Terra como campo de caça e soldados como sua maior presa.

Produzido pela Fox, empresa responsável por Alien: O Oitavo Passageiro (criatura que futuramente enfrentaria o Predador em dois filmes sofríveis), O Predador se sobressai sobre várias produções daquela época marcante pelo fato de transformar uma simples trama em uma obra que oscila entre tensão e diversão com mestria. O roteiro de Jim e John Thomas não se esforça para entregar nada novo, repetindo até o mesmo padrão de filme de Ridley Scott, onde um por um cada militar vai sendo abatido até que sobre o protagonista e o vilão num embate final antológico.

Porém, é bom seu desenvolvimento que o longa ganha o espectador, uma vez que Mctiernan, copiando mais uma vez Scott e até Spielberg em Tubarão, vagarosamente apresenta o vilão, se dedicando muito mais a  desenvolver a ameaça que ele impõe. Quando o Predador finalmente surge por inteiro no final do segundo ato, já sabemos que não será fácil vencê-lo ou escapar dele. Dono de um dos visuais mais bacana do cinema, cortesia do saudoso mestre Stan Winston (responsável por Aliens: O Resgate e Jurassic Park) e do cineasta James Cameron, a criatura interpretada por Kevin Peter Hall (que herdou o papel do até então desconhecido Jean Claude Van Damme, que chegou a gravar algumas cenas enquanto o alien possuía um visual inicialmente tosco) se revela um antagonista marcante, daqueles que quando vencidos, todos conseguem respirar aliviados. Por mais que Schwarzenegger se esforce numa carismática atuação que remete ao seu John Matrix, de Comando para Matar, ele chega a ser ofuscado em certos momentos pelo icônico vilão. Isso até o já citado embate final.

É no terceiro ato que o filme se mostra uma obra de arte oitentista; um clímax onde a luta entre o bem e o mal é perfeitamente representada por um Dutch vingativo e astuto e um Alien caçador sempre um passo à frente. Somado a clássica e excepcional trilha sonora de Alan Silvestri e um primoroso trabalho de fotografia, O Predador possui um dos melhores confrontos dos anos 80.

Sangrento, simplista e, acima de tudo, antológico, O Predador continua sendo uma obra essencial para apreciadores de ficção científica e cultura pop. Uma aula de objetividade que entrega um produto descerebrado, mas inesquecível e divertido.

Nota:

 

 

Leave a Reply

%d bloggers like this: