Análise | O Silêncio dos Inocentes (1991)

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Vencedor do Oscar 1992, O Silêncio dos Inocentes foi um suspense que surpreendeu a todos e, não apenas retirou o prêmio maior do cinema americano das mãos da superprodução (e grande favorito) Bugsy, mas conseguiu o feito de angariar as 5 principais categorias da premiação: Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro Adaptado. O filme dirigido pelo diretor Jonathan Deeme, que não era um grande preciosista tecnicamente, mas que sempre exibiu grande competência, apesar de ser lançado sem alarde, causou uma forte impressão na plateia, se tornando um sucesso perturbador. A trama é baseada na série de livros escrita por Thomas Harris e focada no psicopata canibal Hannibal Lecter, e trazia para o cinema o arco presente no segundo livro (homônimo ao filme) da série, sendo uma continuação de Dragão Vermelho, de 1986, dirigido por Michael Mann. A personificação de Hannibal feita por Anthony Hopkins foi tão superlativa (no primeiro filme a personagem havia sido interpretada por Brian Cox) que o filme original acabou sendo historicamente ignorado e toda a série refeita com Hopkins no papel, inclusive o filme original que teve um remake lançado em 2002 como prequel.

A detetive da polícia Clarice Starling (Jodie Foster) está a caça de um serial killer de mulheres (Ted Levine) e para entender o psicológico tortuoso do matador ela consulta o psicopata, e ex-psiquiatra, Lecter. Hannibal aproveita a situação para fazer um doentio jogo psicológico com a detetive, o que a faz confrontar medos e frustrações guardadas. Centrando o suspense nos diálogos e na atuação de seu elenco brilhante, Deeme constrói um suspense com pouca ação, muitos diálogos e cenas longas, o que não se torna um empecilho ao ritmo do filme, graças à genialidade na construção da atmosfera. Nas poucas cenas onde a violência explode ela é esteticamente brutal e elegante ao mesmo tempo. A personagem de Ted Levine não exibe seu perfil em tela, se mantendo às sombras enquanto o diretor constrói o horror de seus atos apenas com recursos estéticos e com o perfil traçado nos diálogos entre os personagens de Hopkins e de Foster.

O Silêncio dos Inocentes é um dos momentos mais bem sucedidos do cinema, um clássico do terror/suspense que traçou uma influência forte para o gênero. Momento principal tanto da carreira de seu diretor quanto de seu ator principal. O protagonista ganhou notoriedade mundial absoluta com a produção. Um daqueles filmes absolutamente incontornáveis.

 

Nota:

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