Análise | Justiceiro: Nascido para matar

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No inicio dos anos 2000, o nome Justiceiro estava tão apagado quanto o do Homem de Ferro antes do Marvel Studios. O personagem já tinha sido utilizado e reutilizado de todas as formas que os editores achavam possível, que, por incrível que pareça, já o tinham transformado num anjo que tinha voltado dos mortos após cometer suicídio e virado mafioso. As ideias para deixar o Justiceiro no top de vendas já tinham se esgotado, ainda mais por que o personagem tinha sido criado pelo sucesso dos filmes com Stallone  e Schwarzenegger, homens exageradamente musculosos, que resolviam tudo com porrada e na bala; ou seja, sem um bom roteirista, não se iria mito além disso.

Então, para Garth Ennis é dada a missão de levantar esse personagem, que para todos era visto como superficial e sem história de fundo. Com total liberdade, Ennis cria o título Justiceiro MAX, onde se teria histórias altamente violentas, com palavrões e sexualidade gritante, claro, sendo para maiores de 18 anos; não se esperava nada de diferente do criador de Preacher. Ennis  inicia sua fase recontando a origem do Justiceiro, que até hoje é declarada como a origem definitiva, o coloca novamente nas terras do Vietnã durante uma das maiores guerras que o pais já sofreu.

A série em 4 edições conta a história do capitão Frank Castle, que está na sua terceira vinda ao campo de batalha; um homem que lidera o pelotão como se tivesse nascido para isso, até sua volta para casa e para os braços de sua família pouco antes do desastre acontecer. A história é narrada por um soldado chamado Stevie Goodwin, cuja única motivação é de que irá embora dali um dia. Ennis nos prende na narrativa cheia de fatos e bizarros e acontecimentos envolvendo Castle e sua luta pelo que é justo dentro do exército, onde só se deve cumprir a missão e mais nada além disso. Metade do nosso foco para a história é devido a Darick Robertson, que já trabalhou com Garth Ennis em The Boys. Com um traço cheio de detalhes, ele nos mostra o máximo das cenas de violência e atrocidades que só poderiam ter saído da cabeça de Garth Ennis.

Com diálogos maravilhosos e narrativa imparável — você não consegue se sentir cansado lendo o quadrinho —, é impressionante como a narrativa é conduzida juntando arte e texto para nos entregar uma verdadeira obra prima. Nascido para matar mostra que podemos nos superar sempre e que devemos ter medo do podemos nos tornar, pois o inexplicável aconteceu com Frank Castle, quem sabe não acontece com você?

Nota:

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