Star Wars | O futuro da franquia na Disney

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Desde ontem, repercussões da entrevista do CEO da Disney, Bob Iger, estão se espalhando por vários sites e portais internet afora. Iger falou sobre temas polêmicos, como o caso James Gunn, assim como a rivalidade com a Netflix, a Fox e o futuro da companhia no caminho da inclusão e diversidade. Não sem razão, as palavras do homem mais influente na indústria do entretenimento não só fazem eco, merecem ser escutadas, por que elas lançam projeções sobre o futuro e os direcionamentos da Casa do Mickey e de suas aquisições.

Entre tais aquisições, entra a Lucas Films e, consequentemente, os filmes da franquia Star Wars, que desde 2014 esteve entre os principais lançamentos da empresa de Bob Iger. Na entrevista, Iger falou que a franquia deverá sofrer uma “desaceleração” na quantidade de material feito, especialmente em forma de filmes. Ele admitiu que ele se precipitou com Star Wars, fazendo muita coisa em um curto espaço de tempo, algo que ele mesmo disse que “excedeu o timing” da obra e acabou sendo um erro, quando se fala no que interessa mais a uma empresa bilionária: a bilheteria.

Após Episódio IX, franquia sofrerá desaceleração no volume de produções.

As palavras de Bob lançam uma reflexão não só sobre Star Wars, mas sobre o universo da cultura pop de modo geral: até que ponto a sede de faturamento das empresas supera a qualidade e acaba minando obras tão queridas dos fãs? Basta lembrar que temos casos além do de Star Wars que ilustram bem esse timing citado por Iger.

A franquia The Walking Dead recentemente foi confirmada que vai passar por uma expansão, o que envolve provavelmente filmes e mais produções derivadas da série principal, como é o caso de Fear the Walking Dead. Homens de Preto passará por reboot/continuação. A DC Comics parece querer adaptar tudo o que for do Batman, criando uma franquia do Homem Morcego.

A vontade de ganhar dinheiro com uma franquia por vezes acaba por saturar e estragar o material original. No caso de Star Wars, tivemos uma volta espetacular com o Episódio VII em termos de retorno financeiro, mesmo com queixas de parte da comunidade Star Wars sobre o filme. A Disney enxergou o potencial, e logo encomendou spin offs, sendo o primeiro deles, Rogue One. Seguiram-se o Episódio VIII e, logo em seguida, mais um spin offSolo: uma história Star Wars.

Desde 2014, se analisarmos as bilheterias nos Estados Unidos, Star Wars foi descendo em faturamento, com Rogue One indo abaixo do Episódio VII; o Episódio VIII foi melhor, mas de modo bem abaixo em relação ao Despertar da Força. E as coisas se tornaram bem díspares quando Solo chegou, apresentando uma queda acentuada de bilheteria doméstica.

Solo foi um desastre em bilheteria.

A queda de faturamento acompanha outra coisa também alarmante: a queda na qualidade das obras. Mesmos os fãs mais aguerridos de Star Wars têm de admitir que Solo foi um filme abaixo do médio, e mesmo Rogue One possui uma trama que se torna esquecível com o tempo, onde só nos lembramos, de cara, de Jyn Erso.

E o ponto que deve ser apreendido das palavras de Bob Iger e dessa reflexão é que, por mais que queiramos ver nossas franquias favoritas no cinema, precisamos de tempo para que elas se renovem. Às vezes, pode até ser o caso de que se encerre seu ciclo, como a franquia De Volta para o Futuro e Matrix. Não acho ser o caso de SW, mas que ela precisa de tempo para, assim como os primeiros Jedi, reenergizar a bateria do sabre, precisa.

O Episódio IX, possivelmente, irá melhor nas bilheterias que os spin off, mas outros fatores influenciam além do vigor da franquia. O falecimento de Carrie Fisher, o hate em relação à descaracterização da franquia, tão criticada no último filme do cânone,  despedida de Mark Hamill, são fatores que vendem tanto quanto o filme em si. Após isso, Iger tem razão: será preciso uma desacelerada e um repensar sobre quais projetos serão feitos. Pode ser que as séries para o novo serviço de streaming Disney sejam o caminho mais seguro, por que oferece a chance de manter a franquia no imaginário dos fãs e a possibilidade de se explorar mais material dos livros sobre a série.

O futuro pode estar nos livros, mas o tempo é essencial.

Entretanto, com relação ao cinema, podemos esperar hiatos maiores antes de qualquer coisa em relação ao universo Star Wars, e é bom que assim seja, por que os fãs da franquia/religião de SW merecem sempre o máximo, não histórias genéricas sobre a juventude de um personagem, que assim que saiamos da sala de projeção, esqueçamos tudo o que vimos.

Vida longa à República e vida longa a Star Wars, mas que se dedique mais cuidado ao que se for fazer com ela, mesmo que para isso, levemos mais tempo no hiperespaço.

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