De Prince a Zimmer, o caminho das soundtracks de Batman

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Por: Jefferson Sousa

A segunda metade da década de 1980 foi marcada pela acensão de diversos movimentos culturais e gêneros musicais, como, por exemplo, o funk norte-americano, com diversos artistas se adaptando ou incrementando suas características ao som. Não foi diferente com Prince, um dos artistas de maior destaque quando o assunto é contribuição para o pop e sua renovação. Todavia, como já era de se esperar, o multi-instrumentista de Minnesota tomou as rédias do gênero que misturava soul, blues, jazz e rhythm, fortificando com os seus sintetizadores inconfundíveis, resultando em clássicos da industria musical e, veja só, cinematográfica: Prince assina a trilha sonora de Batman (1989), do diretor Tim Burton, ao lado do compositor Danny Elfman (que continuaria acompanhando Burton na sua filmografia, incluindo em Batman: O Retorno, de 1992), lançando, entre outros sucessos, The Future, Eletric Chair, The Arms of Orion.

O que motivou trazer Prince para a trilha sonora da primeira adaptação do morcegão para o cinema não foi o fato dele ser um astro que na sua época raramente saia do topo da Billboard – ou, talvez, não só por isso -, mas sim pelo grau de proximidade que o seu som e inovação cultural tinha com a proposta de gênero fílmico que Burton buscava alcançar.

Esta linha de pensamento de unificação das partes musico-roteirística da obra foi constatada como resultado promissor nos três últimos filmes do herói, porém, os sequentes ao de 1989 e 1992, ao desqualificarem este pensamento, pisaram um pouco na bola. Mesmo sabendo que nem uma qualidade ou defeito dentro de uma produção que envolva tantos milhões de dólares devesse ser apontada para uma única pessoa, é preciso dar nomes aos bois, e, no caso da trilha sonora de Batman Eternamente (1995) e Batman e Robin (1997), seu nome foi Elliot Goldenthal. Elliot, vencedor do Óscar e Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora Original por Frida (2003), nada teve haver com as críticas positivas e negativas dos resultados finais dos filmes, sendo esta seu ausência criativa a pior crítica negativa que poderia receber.

E, depois de anos de um vácuo do morcego na telona tendo deixado no coração dos fãs uma má lembrança com a última produção, veio o questionamento coletivo dos desavisados que não viram Insônia (2002): quem é esse Christopher Nolan!? O Begins (2005) foi bem recebido em todas as áreas e observadores, incluindo na que da tema a esta matéria. Chegamos ao brilhante Hans Zimmer, vencedor de tanto Grammy Award: Melhor Trilha Sonora Original que ficaria chato colocar a lista aqui.

No princípio, quando Nolan anunciou Zimmer, os fãs ficaram cabisbaixos por acreditarem que o descompasso entre roteiro e trilha continuaria, já que os prêmios do compositor eram em “filmes diferentes” deste. Mas que “filmes diferentes”! Zimmer venceu o Óscar por assinar, ao lado de Elton John, a trilha de O Rei Leão (1994), por exemplo. Quando o Begins estreou foi também o ano (2005) em que as salas dos cinemas mais comerciais dos EUA e centros culturais da Europa e Asia começaram a investirem em campos sonoros nas salas – hoje, muito mais evoluídas e difundidas, encontradas em salas como IMAX -, ou seja, não preciso nem dizer o susto que alguns espectadores tiveram. Susto positivo.

Se seu coração não acelerou ao ouvir a introdução de Why So Serious?, música assinada por Zimmer em parceria com James Newton Howard para o Cavaleiro das Trevas (2008), procure um médico ou um padre, há algo de errado com você. Falando ainda sobre o de 2008, algo impressionante é que as músicas alcançaram patamares populares de hits independentes de suas respectivas naturezas, sendo das mais digamos assim pop I’m Not a Hero e Harvey Two-Face, ou a quase erudita A Dark Knight, de 16 minutos e 15 segundos.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) alcançou, assim como o seu anterior, a marca de 1 bilhão de dólares de bilheteria – “É dinheiro ou não é?”. Sinônimo de uma confiança estabelecida e, logicamente, de mais um bom trabalho realizado em conjunto. Aqui, Zimmer manteve a qualidade e a já esperada linha sombria, ocasionando críticas de alguns blogues por falta de inovação – estas rebatidas por alguns críticos, como o Peter Bradshaw, do jornal britânico The Guardian, que apontou descontentamentos não relacionais com a trilha sonora. O destaque da soundtrack de 2012 é, sem dúvidas, A Storm Is Coming, que apareceu nas listas das mais baixadas ilegalmente no The Pirate Bay (rsrs). On Thin Ice e Gotham’s Reckoning não ficaram para trás no gosto do povão, mas tiveram vida-útil bem mais reduzida.

“O futuro a deus pertence”, mas também pertence aos investidores da pré-produção que ainda se locomove para o filme de 2020. O fato de que Hans Zimmer nunca ter escondido a sua insatisfação por Ben Affleck interpretar Bruce, atrelado a Matt Reeves, segundo o próprio, ainda está mexendo a cobertura e a base do roteiro, entre outros destinos incertos, fazem com que os fãs – ou pelo menos os do músico – voltem ao prelúdio do Begins sobre The Batman: torcer para que o nome no cinema de um dos maiores responsáveis por popularizar o hq no mundo contemporâneo não caia em mãos e ouvidos despreparados, ou que, pelo menos, saibam diferenciar composição planejada de trilha sonora – assunto muito denso para espremer aqui – e entretenimento sonoro.

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