Análise | Batman: o retorno (1992)

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O ano era 1992. O Batman já havia enfrentado seu maior inimigo. Então, o que fazer para uma sequência à altura? Trazer dois de seus maiores inimigos, em uma história que misturava drama pessoal, a criminalidade e uma subtrama de corrupção política, tudo ao melhor estilo Gotham.

Foram esses os ingredientes que Tim Burton usou para Batman: o retorno, o segundo e último filme dirigido pelo diretor e a última aparição de Michael Keaton no papel do Cavaleiro das Trevas. O filme é, para mim, um dos melhores filmes do Batman de todos os tempos, de tão bom, permaneceu inatingível pelo desastre dos filmes de Joel Shumacher até a chegada da trilogia Nolan, em 2005. Mas o que torna esse filme tão clássico? Bom, uma série de felizes combinações.

A primeira foi o elenco. Michelle Pfeiffer, Danny DeVito, Christopher Walken, Michael Keaton. Não só a reunião estelar, mas atuações estelares. Na trama que conta o nascimento do Pinguim (DeVito) e da Mulher-Gato (Pfeiffer), temos dois dos momentos mais épicos do Batman no cinema. A ideia de fazer o Pinguim/Oswald Cobblepot o oposto do Batman/Bruce Wayne — os dois, órfãos, crescendo sozinhos, conhecendo a dor e o sofrimentos da perda muito jovens, mas um seguindo o caminho do herói, o outro, o do vilão — tornou o personagem mais denso, mergulhando em sua motivação como vilão pra lá de longe do simples maniqueísmo, aliás, algo que nem o Coringa de Jack Nicholson, com toda sua genialidade, foi capaz de fazer.

A escolha do elenco foi um dos muitos pontos altos do filme.

A dor da solidão afetou de maneira danosa também a frágil Selena Kyle, tímida e reprimida, enfrentando a crueldade de um mundo frio como o inverno de Gotham, até que a revolta explode e, assim como Oswald, escolhe o caminho da vingança, da destruição, também o direcionamento oposto do que Wayne escolhe para seu ódio.

Ainda temos o personagem de Christopher Walken, Max Shreck, o empresário corrupto, enganador, oportunista, caricato propositalmente, e que leva a trama adentro da artificialidade da política (“Você tem que admitir, eu controlo essa cidade como a harpa do inferno!”).

Outro elemento que funciona muito bem no filme são os diálogos e a fotografia. É impressionante a quantidade de momentos épicos, seja no monólogo de Selena, seja no embate entre o Pinguim com Shreck no esgoto, ou, meu melhor momento, o embate entre o Pinguim e o Batman no meio do caos da cidade. Até mais que o primeiro filme, a narrativa de Burton aqui está muito refinada, tanto no humor quanto no drama.

“A abordagem direta. Eu admiro isso em um homem com uma máscara.”

De resto, a manutenção da trilha de Danny Elfman, da matiz de cores, dos elementos de fotografia e o ritmo do primeiro filme, uma versão mais sombria da Gotham dos anos de Adam West, na minha opinião, dão o ingrediente perfeito para que esse filme divida os fãs entre na preferência pelos filmes da Era Burton no Batman.

Junto com o Batman de 1989, Batman: o retorno definiu a visão do Homem-Morcego por mais de uma década, assim Frank Miller e Nolan, tanto que sua presença foi sentida até no filme da Liga da Justiça. Não sem razão, pois Tim Burton conseguiu gerar uma obra com uma visão própria, mas que preservava a essência do personagem, aliado a uma trama consistente, qualidade técnica impecável e atuações de gala, algo que perdurará para sempre como referencial de como tratar o Batman nos cinemas, justamente em época de novo filme que parece estar saindo do forno.

Nota:

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