Análise | Jack Ryan – Temporada 1

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Após passar um longo tempo anunciando, finalmente a Amazon resolveu lançar Jack Ryan no seu serviço de streaming, o Prime Video. A série mostra um agente da CIA em uma missão contra um terrorista, assim como já visto inúmeras vezes no cinema e na TV. John Krasinski vive Jack Ryan, protagonista que já foi representado no cinema por Alec Baldwin, Harrison Ford, Ben Affleck e mais recentemente Chris Pine. O personagem é baseado na obra de Tom Clancy, conhecido por seus personagens inspirarem games como Rainbow Six, Splinter Cell, The Division, entre outros.

Se você já assistiu 24 Horas e Homeland, já sabe exatamente a fórmula que será usada aqui sem pensar muito. Jack Ryan é um agente de escritório da CIA que descobre uma informação importante sobre um grupo terrorista e vai acabar em campo na missão. Lá ele segue os mesmos passos que Jack Bauer e Carrie Mathison em suas respectivas séries, mas sem o mesmo carisma e o protagonismo marcante. O roteiro causa essa impressão e é reforçado com o desempenho fraco de John Krasinski, que não convence. O ator já foi destaque nas comédias com The Office e também mostrou que é muito bom em dramas, inclusive dirigindo, como foi o caso de Um Lugar Silencioso neste ano. Uma pena não ter obtido a mesma performance com a série.

Os arcos da série são muito curtos, as questões levantadas são rapidamente resolvidas sem o devido desenvolvimento. Fica a incerteza aqui se essa foi uma influência da Amazon ou uma opção dos roteiristas, já que um dos criadores, Carlton Cuse, também foi uma das mentes por trás de Lost, que vai justamente no caminho contrário quando se trata de desenvolvimento de trama e personagens. Mesmo com oito episódios, a série encontra uma forma de acrescentar um filler completamente desconexo do núcleo central, onde um operador de drone bomba busca a redenção após fazer uma vítima indevida em um de seus ataques. Não há nada que possa ser aproveitado nesse plot, que inicia sem uma conexão aparente e termina da mesma forma. Talvez o tenham criado com algum objetivo para temporadas futuras, mas aqui não houve relevância alguma.

Apesar desses problemas com o roteiro, Jack Ryan tem muitos méritos. A série é muito bem dirigida, os ataques são bem elaborados e o ritmo é excelente. É o tipo de série para assistir tudo de uma vez, não soando cansativa em momento algum. O núcleo da esposa do antagonista é o melhor de longe e por vezes toma mais espaço que o do próprio Jack Ryan e seu papel na CIA. Também é importante reconhecer a beleza que há nas cenas no oriente médio, que elevam o nível técnico da série. A ligação que a série possui com os acontecimentos atuais na Síria é outro ponto fortíssimo, deixando aquele nó na garganta em vários momentos.

Já renovada antes mesmo de estrear, Jack Ryan tem sua segunda temporada prevista para o ano que vem.

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