Análise | Venom

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Depois de tanto tempo injustiçado no cinema, era aguardado pelos fãs do anti-herói Venom que seu filme solo, a tentativa da Sony de voltar ao mundo dos super-heróis e criar seu próprio universo quem sabe, estivesse à altura que o personagem merecia. Infelizmente, o que foi apresentado no cinema na última quinta continua a não fazer justiça com o Venom,

Tínhamos tudo para isso, desde um ótimo ator como protagonista e um material original que já se venderia por si só, tanto na Terra 616 quanto no Universo Ultimate.

Inicialmente, o simbionte, uma criação do deus Knull, foi um produto das Guerras Secretas, tentando primeiro fazer parceria com Deadpool, para só então encontrar Peter Parker e, com a rejeição deste, Eddie Brock. No Universo Ultimate, o Venom é uma criação de laboratório, um traje para tentar curar o câncer.

Como algo poderia dar errado? Bom, a resposta é simples: destruindo tudo isso com um roteiro que entrega um filme genérico de ação, mas muito longe do que gostaríamos de ver com um personagem tão querido das HQs.

O ódio une Brock ao Simbionte nos quadrinhos.

Na trama dirigida por Ruben Fleischer, Eddie Brock (Tom Hardy), um repórter online acaba se encontrando com um ser alienígena, chamado simbionte, que era explorado pelo cientista sem escrúpulos Carlton Drake, interpretado por Riz Amhed. Para combater a ameaça representada por Drake e por sua exploração dos organismos extraterrestres, Eddie se transforma em Venom, um anti-herói que não se pauta exatamente pela ética e pelo caminho do herói para atingir esse objetivo.

Tal sinopse genérica é justamente a essência do filme de Fleischer, que perde a condução da trama por vários deslizes, desde o início da projeção. Que por sinal, parece prenunciar algo realmente empolgante, com a referência à chegada do Simbionte à Terra comandada pelo astronauta Jameson. Entretanto, ficamos nisso, com o astronauta sendo mais um personagem genérico na produção.

Após tal início, a mão de Ruben Fleischer segura demais a ambientação do personagem principal. Veja, ambientações são importantes, mas é preciso saber como trabalhá-las. Em Venom, tínha-se ambientações e construção de personagens demais para que se perdesse tempo com apenas um personagem, o que torna o filme lento e mais longo do que realmente é para o espectador. Ademais, a necessidade de humor, seguindo a tendência Marvel, gerou cenas demasiado fora do time, beirando o pastelão, e deixando o Eddie Brock de Tom Hardy como o herói genérico clássico: bonachão, proativo, sagaz, perspicaz, inabalavelmente honesto.

Um herói bem clichê, e não no bom sentido da coisa.

O último caráter é o que nos leva ao segundo ponto perdido pelo filme, que é o antagonista. E que Riz Amhed é outro bom ator, não há dúvida, mas conseguiu entregar um Carlton Drake genérico e sem imposição, como um garoto de escola pedante e mimado, com um motivação que poderia ter sido forte, mas que não coube na administração do tempo por parte da narrativa do filme. Nada como o personagem dos quadrinhos.

Com um herói e um antagonista genéricos, sobrou para o terceiro elemento: o Simbionte. De fato, é inegável que o design do personagem Venom ficou impecável, assim como outros aspectos técnicos do filme, como as cenas de ação. Contudo, novamente tudo em um contexto que não anima, tão genérico que é. O Simbionte possui características e necessidades físicas e psicológicas que não são explicadas pelo roteiro do filme, e isso é simplesmente uma escrita ruim, não melhorada pela direção. Sua conexão com Brock (e com a Terra) não e estabelece em solo firme o bastante para justificar suas ações.

Os Fan Services (e o cameo) do filme foram interessantes, divertidos, mas nada que deixasse o aspecto genérico que tanto falamos.

O filme é tão flat que o combate final termina e nem o percebemos como algo excitante, que nos pusesse de pé nas cadeiras. Ele acaba e passamos em frente, para a sequência final, com um ponto de retomada de roteiro tão previsível, que é percebido desde o primeiro momento em que aparece no filme.

Tecnicamente, muito boas, as cenas de ação não oferecem nenhuma tensão ao espectador.

As cenas pós-créditos são boas, o que ajuda a melhorar a imagem de um filme que, se não fez justiça ao veneno do Homem-Aranha, deu um excelente filme de alguma sessão de sábado na madrugada.

Nota:

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