Análise | Hannah Gadsby: Nannete

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A comediante da Tazmania Hannah Gadsby (da série Please Like Me) lançou em 2018, através da Netflix, um filme de seu stand up comedy show Nannete. O comedy do termo deve ser bastante suavizado, já que nunca se viu uma performance de stand up pautada em assuntos e discursos tão densos. Contudo, o termo stand up deve ser destacado, por se tratar, nesse caso mais que em qualquer outro, de um grande discurso em defesa de algo, no caso da Hannah Gadsby em defesa de sua visão e posição no mundo como mulher, artista e homossexual.

Com apenas poucos minutos a mais que uma hora de duração, Hannah Gadsby: Nannete é sucinto e direto, mas intenso em todos os momentos, e não falha em crescer a cada minuto, não apenas em intensidade dramática, mas na profundidade dos temas discutidos. A comediante se expõe completamente, deixando claro que esse discurso se trata da obra de sua vida. Questionando o “inquestionável” (Pablo Picasso), confrontando as próprias fileiras dos movimentos lésbicos e feministas, mantendo sempre seu pé fincado em seu ponto, se diferenciando até mesmo dentro da própria comunidade na qual ela é inserida, Hannah demonstra uma maturidade genial em relação à terapêutica que estabeleceu em sua vida pessoal, e derrama isso com força sobre sua arte.

Seminal, diferencial, munido de um zeitgeist intenso: Hannah Gadsby: Nannete é provavelmente o stand up comedy show mais importante já feito, correndo grandes riscos também de ser o melhor filme lançado em 2018. O apogeu de uma artista que cresceu em sua dor, em seu talento e em sua história até esse ponto admirável em termos absolutos.

 

Nota:

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