Análise | Castlevania (2° Temporada)

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Tendo seus quatro primeiros episódios lançados em 7 de Julho de 2017, a série animada original do serviço de Streaming Netflix, Castlevania, é baseada no clássico publicado pela Konami como um exclusivo para o NES/Famicom em 1989Castlevania III: Dracula’s Curse” (ou Akumajo Desentsu no Japão), que narra a jornada do lendário caçador de vampiros Trevor Belmont e seus aliados: A feiticeira Sypha Belnades, o pirata Grant Danasty e o dampiro Alucard. Juntos eles partem em uma missão em comum, derrotar Drácula e impedir sua ira contra a humanidade.

Tendo em visto que a grande e esmagadora maioria das tentativas de se adaptar uma franquia de videogames de origem japonesa pelas mãos de algum estúdio ocidental, seja para as telonas ou televisões, acabam quase sempre por se tornarem um produto considerado como um “escárnio” ou uma “ofensa” para aqueles que acompanham essas marcas desde suas infâncias. E sendo uma franquia de sucesso com inúmeros jogos publicados, seria obvio que Castlevania também teria a sua fatia nesse mercado (mesmo que isso se traduzisse em outro fracasso entre os demais).  Mas ainda sim, os fãs de Castlevania sempre se mantiveram positivos com essa possibilidade e por um motivo bem simples: Castlevania “bebeu” das maiores fontes do “horror ocidental” como os filmes do famoso estúdio Hammer Film Productions e as obras literárias dos “pais do horror” Bram Stroker, Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft. Ou seja, um longa ou um seriado baseado em Castlevania sempre teve tudo para dar certo e com pouquíssima margens para erros por trazer temas já tão “martelados” na indústria de entretenimento em geral.

E após uma espera de 30 anos, a série produzida e idealizada por Adi Shankar, dirigida por Sam Deats e tendo o lendário Warre Ellis no roteiro, consegue trazer uma experiência satisfatória para os fãs da franquia de aventura e horror da Konami, trazendo lindos visuais com uma direção de arte que emula o estilo das animações japonesas para adultos, conhecidos por “animes seinen”, podendo ser facilmente confundido como um. Sua trilha sonora à cargo do compositor “Trevor Morris” deixa um tanto a desejar se comparado ao excelente trabalho da compositora Michiru Yamane.

Mesmo ainda sendo uma segunda temporada, ela pode ser facilmente considerada como um complemento de uma primeira temporada que teve de ser dividida em duas partes, na qual os quatro primeiros episódios iriam dizer se o projeto merecia ir a diante ou não em uma época em que a Netflix anunciou uma onda de cancelamento de suas séries originais que não conseguiram obter o retorno necessário para que houvessem uma continuidade. O enredo da segunda temporada traz o seguimento exato de onde a série havia parado, com Alucard se juntando à Trevor e Sypha e lhes revelando os planos de seu pai ensandecido pela vingança. Sozinhos e em total desvantagem contra os exércitos demoníacos de Drácula, o trio busca por uma maneira de adentrar o castelo móvel de seus inimigos, em contra partida, Drácula agrupa seus asseclas que planejam a estratégia certa que irá exterminar a raça humana juntamente com seus fieis aliados humanos, os mestres forjadores demoníacos Hector e Isaac, que são dotados com o poder de re-animar os mortos e transfigura-los em armas vivas sob suas ordens. O que na verdade a presença desses dois personagens pode significar em uma fidelização com a linha temporal oficial dos jogos, possibilitando uma possível adaptação de Castlevania: Curse of Darkness (PS2/Xbox) em temporadas futuras da série.

A série apresenta uma ótima escolha nos dubladores tanto nacionais como internacionais, trazendo diálogos sérios que repaginam a personalidade dos personagens inseridos na trama, onde os heróis trocam seus teores sérios, frios e calculistas em seus jogos originais por personalidade mais descontraídas e emotivas diante de cada situação. A série também se preocupa bastante em criar uma devida apresentação bem detalhada de Drácula e seus aliados, com intuito de criar uma empatia entre os personagens apresentados como os vilões da trama para o expectador. As cenas de combate são bem memoráveis e muito bem animadas, proporcionando um certo grau de violência visceral bem explicita. E Mesmo não proporcionando uma trilha sonora tão memorável, é justo dizer que foi uma grata surpresa escutar a tão famosa “Bloody Tears” durante os combates finais entre o trio de caçadores e o exército inimigo, além das diversas referências aos itens, armas e demais monstros icônicos presentes em toda a franquia Castlevania. Três pequenos poréns que a série possui, são as mensagens anti-cristãs, retratando o falso clichê nunca presente nos jogos relacionado a igreja católica, o que ocorre muito pelo contrário, os personagens sempre tiveram o clero cristão ao seu lado lhes oferecendo auxilio em suas jornadas, e o outro detalhe é a total ausência do personagem Grant Dasnaty, o quarto aliado de Trevor, Sypha e Alucard, e o por último e não menos importante a ausência da Morte, a ceifadora de vidas e maior serva de Drácula sequer é mencionada dentro da série.

No geral a série consegue cumprir seu dever como uma adaptação de uma franquia de videogames com uma premissa simples, aonde boa parte dos jogos se resumem aos heróis enfrentando hordas de monstros até o seus objetivos finais de confrontar Drácula. E ainda conseguindo criar um estimulo de aproximar os jogos com possíveis novos fãs.

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