Análise | Meu amigo Dahmer

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Milwaukee, Wisconsin, EUA. 22 de julho de 1991. Um jovem aborda alguns policiais na rua, informando que havia acabado de escapar do apartamento do homem que tentara matá-lo. Ao chegar ao local, os policiais encontram um cenário de horror: dezenas de corpos desmembrados, cabeças no congelador e um altar de crânios.  O morador daquele apartamento macabro era o canibal e necrófilo Jeffrey Lionel Dahmer, consequentemente preso e condenado à prisão perpétua por crimes como assassinato, estupro, ocultação de cadáver, entre outras barbaridades. Em uma nação como os Estados Unidos, onde assassinos em série são tratados como astros, Dahmer se tornou o mais famoso, sob a alcunha de O canibal de Milwaukee, tendo sua vida detalhada em livros, documentários e filmes. Mas, nunca em quadrinhos.

Lançado recentemente pela editora Darkside Books, a graphic novel Meu amigo Dahmer foca na gênese do serial killer: sua rotina na escola, a homossexualidade reprimida, o alcoolismo precoce e as constantes brigas dos pais em casa. Ambientada no fim dos anos 70, a trama transita entre cenas perturbadoras envolvendo o lado curioso do jovem Dahmer (como as que envolvem mortes de animais ou uma frustrada tentativa de assassinato de um rapaz) e o convívio do garoto com alguns amigos que formavam o “fã-clube Dahmer” (sim, isso realmente existiu).

A veracidade dos fatos aqui representados é enorme já que o autor da obra foi um dos integrantes do grupo. Bastante premiado, Derf Backderf se inclui como personagem na história e deixa explícito que já sentia que havia algo de errado com Dahmer, arrependendo-se de não poder ter ajudado. O autor também acentua a culpa dos adultos, professores e, principalmente, os disfuncionais pais de Dahmer, por não tomarem alguma atitude. O leitor pode até sentir pena da figura de Jeffrey como Backderf sentiu até o momento em que os crimes do canibal vêm à tona, junto com a revelação de que Dahmer tinha consciência dos seus atos e não se esforçava para freia-los. Tudo somado à arte em preto e branco de Backderf, que remete a um estilo underground, intensificando perfeitamente o tom pessimista da hq.

Meu amigo Dahmer tem um excelente acabamento, algo corriqueiro quando se trata da Darkside Books, com capa dura e 288 páginas bem impressas . Os extras são outro ponto positivo, repleto de materiais de pesquisa coletados desde o início dos anos 90, quando o autor passou a entrevistar colegas, professores e policiais, além de biografias, storyboards e páginas não utilizadas.

Fonte para um longa metragem homônimo que estréia ainda em 2017, Meu amigo Dahmer com certeza estará presente em várias listas de melhores leituras do ano.

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