Análise | Loja de Unicórnios

Análise | Loja de Unicórnios

11 de April de 2019 0 By Conde
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Loja de Unicórnios é mais um passo na impressionante carreira da vencedora do Oscar e Capitã Marvel, Brie Larson. Apesar de jovem, a atriz detém um percurso ideal na indústria do cinema de Hollywood. Agora ela desponta também como diretora. De forma similar ao que se vê nos filmes de Greta Gerwig, Larson em Loja de Unicórnios busca usar seu cinema como espaço de discussão para expôr as limitações, características e dificuldades das meninas de sua geração. Diferentemente de Gerwig, que faz filmes bastante confessionais e com um grande pé na realidade, o filme de Larson é metafórico e fantasioso, mas mantém uma pegada indie e millenial similar. No cômputo geral, a atriz (e agora diretora) se saiu bem, mas nada perto de sua colega citada anteriormente.

Na trama, a própria Brie Larson encarna uma jovem mulher que, embora tenha pais que procuram a apoiar em suas decisões, se sente criticada com muita facilidade, se apega excessivamente a características de sua infância e tem dificuldade de engrenar sua vida tanto profissional quanto afetiva. Após um quadro depressivo ela decide entrar em um emprego bastante padrão e não-desafiante, é quando ela recebe o chamado de uma estranha (e secreta) loja comandada por um insano vendedor (interpretado por Samuel L. Jackson em mais um exemplo de ótima dinâmica com a atriz) que inicia a “venda” de um unicórnio para a protagonista. Essa vende, que deve ser merecida, vira o atual foco de vida da personagem, que, na jornada para merecer a mercadoria em questão (algo imposto pelo vendedor) acaba confrontando várias facetas de suas dificuldades relacionais.

A analogia, apesar de já bastante utilizada em relação às perspectivas de vida nessa relação, aqui é utilizada de forma curiosa e estimulante em 90% do tempo, com um roteiro eficiente que aborda de maneira inventiva algumas necessidades terapêuticas dessa geração. A direção se mantém simples, mas eficiente. Apesar de toda a produção parecer televisiva, Larson nunca perde o interesse do público ou erra ao estabelecer ritmo ou sentimentos à narrativa, o que já denota delicadeza na condução do filme. O calo da produção é mesmo sua dificuldade em arrematar a metáfora esdrúxula em que se assenta de forma criativa. Se a trama em torno da obtenção do unicórnio dá um ótimo pano de manga ao longo do filme, em seu final os roteiristas parecem não saber o que fazer com a história e finalizam em um clímax que parece um tanto vazio de significado, além de dar um fechamento um tanto quanto previsível ao percurso emocional da protagonista.

Loja de Unicórnios é um filme estimulante e bonito, cheio de bons momentos e que representa a contento as crises das mulheres das novas gerações. Embora seja inferior tanto esteticamente quanto narrativamente aos excelentes, e logicamente comparáveis tematicamente, projetos em que há envolvimento de Greta Gerwig, o filme de Brie Larson passa longe de ser um fracasso, trazendo ainda mais interesse à carreira da atriz e agora diretora. O final é, no entanto, decepcionante por não conseguir explorar com riqueza a trama criada da mesma forma que é feito nos 70 minutos anteriores. Ainda que isso empalideça o filme, não chega a negar o mérito dessa pequena (porém envolvente e relevante) obra.