As Casas de Hogwarts – Uma análise sobre seus fundadores e alunos

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O universo de Harry Potter concentra muito da magia narrada nos livros na figura da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Apesar de haver outras escolas, como sabido através dos livros da saga e da expansão do mundo mágico po r J. K. com a descrição da bruxaria nas Américas, Hogwarts é o palco do descobrimento da magia por Harry e consequentemente por nós, leitores.

É indiscutível que a evolução do conhecimento dos estudantes se dá através das muitas aulas ministradas (que serão temas vindouros na presente coluna). No entanto, o crescimento dos alunos em sua formação como bruxos acontece por meio de outro viés importante: a personalidade, o afloramento de suas principais qualidades, a capacidade de lidar com suas falhas e o modo de enxergar os percalços e particularidades do universo mágico. Isso, sem dúvidas, é construído na casa para qual o aluno será selecionado e permanecerá durante a estadia na escola.

O protagonismo da saga se volta para a Grifinória, por ser a casa para a qual Harry, Rony e Hermione foram selecionados. Os grifinórios chamam a atenção, ainda, porque suas características geralmente constroem a imagem clássica do personagem heróico e de destaque. Contudo, os que se aprofundam na história de Hogwarts e do papel relevante de cada casa não se deixam enganar pelas rasas impressões ocasionadas pela falta de conhecimento.

Em um breve resumo sobre a gênese de Hogwarts, a escola foi criada por quatro fundadores, todos com particularidades que individualizavam sua visão sobre a magia e o modo de ensino aos estudantes. Em uma época onde a bruxandade se portava de modo diferente e havia intensas perseguições, cada fundador carregava prioridades que norteavam sua didática e admissão de estudantes. Por conta disso, Godric Gryffindor, Rowena Ravenclaw, Helga Hufflepuff e Salazar Slytherin criaram suas casas e escolheram como seus estudantes aqueles que possuíam características emocionais e intelectuais mais afinadas com suas próprias.

Godric Gryffindor selecionava aqueles que apresentavam atitudes de extrema bravura e lealdade. A grifinória é o lar dos corajosos, destemidos, valentes, que permeiam suas ações com ousadia, vigor, cavalheirismo e companheirismo. Nunca abandonam seus amigos, possuem fortes traços de liderança e espírito de grupo. O ensino se voltava para lições práticas, de conhecimentos teóricos aplicados em situações cotidianas e com feitiços ágeis e intrépidos. Duelistas incansáveis e com incontrolável curiosidade, geralmente são os que possuem maior conhecimento sobre a arquitetura, passagens secretas e esconderijos do castelo.

Rowena Ravenclaw era conhecida por sua esperteza, inteligência e capacidade técnica assombrosas. Era excepcional em duelos, executava com perfeição feitiços desconhecidos pela maioria e primava pela sagacidade e raciocínio rápido nas mais cotidianas situações. Portanto, os que eram por ela ensinados passavam por uma rígida seleção em que a inteligência, pensamento ágil e sede por conhecimento eram essenciais. A didática de Rowena fazia com que seus alunos se transformassem em duelistas hábeis, magos poderosos, detentores de vasto conhecimento e execução perfeita de feitiços raramente utilizados por sua complexidade. Quando formados, os alunos da Corvinal geralmente ocupam altos cargos no Ministério da Magia e nas abstrusas técnicas para distanciar os trouxas do mundo mágico.

Helga Hufflepuff possuía virtudes e características inversamente proporcionais ao desprezo que recebe dos demais alunos da escola. Sua personalidade era construída por um altruísmo inigualável, bondade, perspicácia ao compreender os sentimentos dos outros e em realizar ações baseadas no coletivo. A capacidade de enxergar com amplitude, levando em consideração as mais diferentes características, experiências, dores, traumas e necessidades foi um dos pilares que ergueu Hogwarts e lhe deu sustentação. Seus alunos refletem as qualidades da diretora e possuem um enorme senso de justiça, sinceridade, compreensão e paciência. A lufa-lufa forma muitos dos melhores guerreiros de Hogwarts. O altruísmo dos lufanos os torna destemidos perante a dor e seu caráter os impele a trabalhar com mais ardor e esmero do que quaisquer outros.

Salazar Slytherin é, assim como seus alunos, marginalizado na história e no cotidiano das atividades em Hogwarts. A Sonserina é a casa menos participativa e querida pelas demais, em parte pela atitude mais reservada dos estudantes e principalmente pelos mitos que rodeiam sua criação e metodologia. Slytherin era um homem rico, inteligente, de sangue puro e com habilidades extremamente complexas, raras e difíceis. Possuía o singular dom da ofidioglossia e dominava a penosa arte da legilimência. Era ambicioso e encobria seus atos com grandeza e magnitude. Salazar escolhia a dedo seus alunos. Extensos requisitos devem ser cumpridos pelos sonserinos, como a pureza do sangue, ambição, determinação inabalável na persecução de seus objetivos e engenhosidade para realizar suas tarefas com perfeição. A má fama de Slytherin se deve ao desprezo pelos nascidos trouxas. No entanto, o receio não era desmotivado ou eivado de maldade. A fundação de Hogwarts se deu numa época de implacável caça às bruxas. A exposição do castelo a filhos de trouxas trazia uma vulnerabilidade indesejada para bruxos que protegiam a magia em prol da preservação de seu próprio povo.

A separação de Hogwarts em casas nos traz uma sutil, mas importante lição acerca da necessidade de valorizar as características de cada um, respeitar as singularidades e atenuar os defeitos oriundos das diferentes personalidades. Um indivíduo pode possuir como principal qualidade o altruísmo, a coragem, a inteligência ou a ambição e ser grandioso e possuir êxito no que faz. Não existe uma fórmula para a grandeza, muito menos para a realização e importância de um indivíduo.

Numa sociedade que singulariza e simplifica a imagem do herói virtuoso, sem falhas e com uma fórmula inequívoca para o sucesso, aqueles que são dotados de qualidades diferentes são desmotivados a aflorar sua excentricidade e excelência por não se coadunarem com a imposição de padrões. O mundo está repleto por grandiosos heróis que executam ações invisíveis aos que têm a mente limitada para enxergar a diversidade que reside no heroísmo.

Hogwarts está de portas abertas para reverenciar o aluno capaz de encarar mistérios com destemor, desvendar enigmas com inigualável inteligência, perseguir suas metas com ambição e fervor e melhorar o mundo através da cura, do altruísmo e da empatia. Não apenas a escola, mas o universo bruxo (e trouxa!) é sustentado por pilares compostos por diferentes tarefas e características, mas com a mesma importância. O todo desmorona quando um desses pilares é retirado.

Nos falem nos comentários qual a sua casa de Hogwarts e a característica que faz você se identificar com ela! Malfeito feito, até a próxima!

2 thoughts on “As Casas de Hogwarts – Uma análise sobre seus fundadores e alunos

  • 21 de October de 2017 at 11:17
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    Eu muito Grifinória mesmo! Companheiríssima! ❤
    Amei a coluna Mari!

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  • 24 de October de 2017 at 17:31
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    Dá até vontade de estudar lá! kkkk

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