Análise | Tempestade: Planeta em Fúria

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No momento que este texto é escrito, Portugal vem passando por um inferno, literalmente: um incêndio devastador vem destruindo casas e florestas além de tirar a vida de mais de 30 pessoas. O cenário é crítico e não possui previsão de contenção. Em setembro, o furacão Irma deixou um rastro desolador no Caribe e nos EUA, com ventos a mais de 250 km/h e resultando em dezenas de mortos e milhares de desabrigados. Por mais que haja um engajamento de (algumas poucasnações e de uma significativa parcela da população mundial em deter o aquecimento global, este não demonstra sinais de freamento.

É nesse cenário de tragédias que estreia Tempestade: Planeta em Fúria, filme que aborda questões ambientais e é dirigido por Dean Devlin, produtor de Godzilla e Independence Day: o ressurgimento, ambos dirigidos pelo amigo e especialista em filmes-catástrofe, Roland Emmerich. Devlin parece ter aprendido com o parceiro como destruir a Terra (Emmerich também é responsável pelos grandiosos O Dia Depois de Amanhã e 2012) e entregar uma descerebrada e divertida ficção.

A trama é ambientada em futuro não muito longe, onde pouca coisa mudou em relação às variações climáticas. Fortes ondas de calor e tempestades avassaladoras indicavam que se não houvesse uma união entre os países, o planeta não sobreviveria. Coube ao cientista Jake Lawson (o rei Leônidas, Gerard Butler) a criação de uma tecnologia capaz de reter o aquecimento global, o que ele consegue com êxito. Uma estação espacial composta por cientistas e engenheiros do mundo todo monitora e controla tudo. Após três anos de paz com o clima, estranhos acontecimentos como um congelamento de uma vila no Afeganistão ou explosão demolidora na China (o que evidencia o quão Hollywood apela para o mercado asiático) revelam uma falha na estação. Durante sua inspeção, Lawson desconfia de que a falha pode ser derivada de uma sabotagem e suas investigações o leva a suspeitar de uma conspiração governamental.

Tempestade: Planeta em Fúria é vendido de forma errônea: o espectador é induzido a pensar que verá um novo O Dia Depois de Amanhã, com cenas de destruição mundial em larga escala por meio de tsunamis, tornados devastadores e até um frio glacial. De fato, estas cenas estão presentes e são bem construídas, com destaque para a citada destruição na China e o congelamento de banhistas numa praia do Rio de Janeiro, contando com efeitos especiais surpreendentemente eficientes. No entanto, o roteiro escrito pelo próprio Devlin pretere tais momentos e cede muito tempo para investigação de Jake no espaço e a de seu irmão Max (Jim Sturgess, de Across the Universe), um assessor do presidente americano (interpretado por Andy Garcia, que recentemente apareceu em Caça-fantasmas e Passageiros) e até para uma perseguição de carro, mas tudo soa genérico. O roteiro usa duas vezes o clichê de revelar quem realmente é o responsável pelos desastres e em nenhuma delas temos uma surpresa (adivinhei quem era o vilão assim que ele entrou em cena), além de apresentar diálogos preguiçosos e explicativos demais. Uma mensagem de conscientização ambiental está lá, mas também é mal trabalhada.

Há erros e acertos na escalação do elenco. Gerard Butler entrega mais uma atuação canastrona, mas carismática; Jim Sturgess, um ator mais associado à dramas e romances, está regular, mas não compromete e Abbie Cornish (Sucker Punch) parece ligada no automático. Pecado maior fica pela mau aproveitamento das atrizes Alexandre Maria Lara e Zazie Beetz (a Dominó, do vindouro Deadpool 2) e, principalmente, do veterano Ed Harris (Mãe!).

Mesmo com os citados problemas, Tempestade: Planeta em Fúria consegue ser um descompromissado entretenimento e merece ser visto numa boa sala IMAX. Poder não ter o mesmo “charme” e apelo de filmes como Impacto profundo, Armageddon e o recente Terremoto: A Falha de San Andreas, mas está longe de ser um Sharknado. Caso focasse mais no aquecimento global e suas consequências, poderia ser um diferencial em tempos difíceis. Resta a nós fazer nossa parte e cuidar do planeta. Força, Portugal.

Nota:

One thought on “Análise | Tempestade: Planeta em Fúria

  • 4 de September de 2018 at 12:55
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    Acho que o filme tem muito bom roteiro. Sinceramente os filmes de ação não são o meu gênero preferido, mas devo reconhecer que Tempestade: Planeta em Fúria superou minhas expectativas. Adorei está história, por que além das cenas cheias de extrema e efeitos especiais, realmente teve um roteiro decente, elemento que nem todos os filmes deste gênero tem.

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