Olhar Critico | Stanley Kubrick um mestre da tensão visual

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Para abrir a mais nova coluna da MaxConPE, o mestre em criar tensão visual e cenas icônicas, Stanley Kubrick

Muitos são considerados gênios no, aparentemente, infinito hall dos diretores de cinema. Poderíamos ficar aqui citando seus nomes e os filmes pelos quais são considerados eternos. Entretanto, o que exatamente os torna tão geniais ao ponto de serem elevados ao mais alto degrau? Bom, é exatamente esse o objetivo desta coluna, que a cada semana trará um diretor novo sendo escrutinado sobre as escolhas e as técnicas que o fizeram ser o que é em nosso imaginário.

E para começar, nada mais justo que um dos preferidos do público justamente por suas cenas icônicas, em que fica claro o uso da técnica que era sua obsessão: Com vocês, Stanley Kubrick e a one-point-perspective.

O ponto do meio é chamado de ponto de fuga, para onde a visão do observador é direcionada.

A obsessão de Kubrick

O iluminado, 2001 – Uma odisseia no espaço, Laranja Mecânica, Nascido para Matar, Barry Lyndon. Até mesmo em seu último filme, De olhos bem fechados, Kubrick era um mestre em guiar o telespectador aonde ele quisesse, criando expectativas tão intensas que deixavam um incômodo quando, às vezes, desfaziam-se e nada acontecia. Na maior parte das vezes, ele utilizava a técnica que o imortalizou, a one-point-perspective.

Essa técnica não é nova e nem foi inventada no cinema. Na verdade, desde o Renascimento ela é comumente utilizada por nomes como Rafael Sanzio e Leonardo da Vinci.

Tudo consiste em apenas um ponto de fuga, termo tão conhecido de pintores, fotógrafos e ilustradores.

A técnica com apenas um ponto de fuga – daí o nome one-point-perspective –  gera uma simetria que atrai a atenção do espectador para um ponto específico, o que pode criar efeitos de expectativa mesmo que nada possa acontecer na cena, dada a perspectiva. E é aí, exatamente, que Kubrick se sobressaía.

Ele era magistral ao direcionar nossa visão para os pontos de fuga com a técnica, criando um efeito de tensão, dramático. O Iluminado e 2001 são bons exemplos disso, no passeio do filho de Jack, Danny, pelo hotel; ou, em contrapartida, no momento final do filme quando o viajante chega ao quarto e vê a ele mesmo no leito da cama. Essas cenas cativaram tanto e prenderam a atenção de tal maneira que são eternas até hoje quando se fala de Kubrick.

Os passeios de Danny aumentavam a tensão em O Iluminado.

 

Recentemente, outro diretor utilizou muito bem a técnica do one-point-perspective com bastante qualidade: Wes Anderson, em seu O grande hotel Budapeste, provando que a técnica que Kubrick tomou emprestada da pintura, do desenho e da fotografia ainda era um excelente modo de cativar a audiência para o que importa em uma cena ou, como o mestre fazia, desorientá-la para o ponto que quisesse.

 

 

 

Por fim, deixamos você com a técnica e Stanley Kubrick em seu melhor, com um vídeo que mostra a one-point-perspective sendo utilizada em várias cenas de vários filmes do diretor, que era, de fato, um mestre, e agora sabemos o porquê.

 

 

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