Potter Day – Um artigo sobre os Potter e o Menino Que Sobreviveu

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A semana que se passou foi cheia de significado para os fãs de Harry Potter. Celebrou-se no dia 31 de outubro o Potter Day, data que relembra o momento em que Harry se tornou O Menino Que Sobreviveu e derrotou Voldemort pela primeira vez. No entanto, também é a ocasião em que se honra a memória de Lily e James Potter, que perderam a vida na tentativa de proteger a vida de seu filho em virtude da crueldade do Lorde das Trevas.

Mesmo após 36 anos do infortúnio que deixou um Harry ainda bebê órfão e conhecido no mundo todo, muitas são as reflexões que se pode extrair da morte de seus pais e de sua capacidade de derrotar um dos maiores bruxos das trevas mesmo com tão pouca idade. A noite profética do dia 31 de outubro de 1981 definiu a vida não só dos Potter, mas da comunidade bruxa e de três trouxas com aversão a bruxaria.

A profundidade do que ocorreu na noite em que Voldemort adentrou na casa dos Potter com o intuito de matar Harry foi explorada aos poucos ao decorrer dos sete livros. Em Pedra Filosofal, quando o Harry órfão e maltratado pelos Dursley nos é introduzido, não conseguimos dimensionar a complexidade da história que o levou a perder os pais e passar boa parte da infância enclausurado numa casa onde não era desejado. No presente post tentarei fazer uma análise sólida e resumida dos eventos que levaram a família Potter a se dissolver tão prematuramente.

Lily Evans, mãe de Harry, nasceu numa família completamente trouxa e não possuía nenhum sangue mágico nas veias. A princípio rechaçada pela irmã por conta da excentricidade de suas habilidades, fora para Hogwarts com quase nenhum conhecimento acerca do mundo bruxo. No entanto, Evans demonstrou extrema inteligência, habilidade e sagacidade desde o início do primeiro ano letivo. Além das qualidades que a tornavam uma aluna excepcional e destacada, Lily chamava atenção, ainda, por sua doçura, bondade e altruísmo com todos os que a rodeavam.

Se Lily tem em suas raízes a origem trouxa e a personalidade fácil, seu futuro marido, James Potter, iniciou sua jornada no mundo mágico de forma diametralmente oposta. Vindo de uma tradicional família bruxa, James cresceu em contato com a magia de seus parentes habilidosos. Extremamente inteligente, bonito e extrovertido, Potter possuía a aura de popular galanteador que o mantinha na linha tênue entre o charme e a presunção. A princípio, fora o acentuado tom de arrogância que fez com que Lily criasse imediata aversão pelo colega de escola.

Conforme já fora explorado nos outros textos da presente coluna, não existem oportunidades em que J.K. não se utiliza da história de seus personagens para trazer alguma lição ou ensinamento. A história de James Potter é responsável por levantar um tema querido pela autora: a redenção.

Extremamente consciente disso era Sirius Black, que em Ordem da Fênix diz para Harry que “o mundo não se divide em pessoas boas ou más. Todos temos luz e trevas dentro de nós. O que importa é o lado em que decidimos agir. Isso é o que realmente somos”. Rowling não queria se limitar a fazer personagens ordinários: ela sempre almejou criar personagens humanos. Dentro dessa premissa, temos a construção de indivíduos com defeitos e qualidades e com a oportunidade de evoluir com o crescimento pessoal.

Muitas foram as experiências que remodelaram um James a princípio infantil e inconsciente de quaisquer danos que porventura pudesse causar aos outros com suas brincadeiras despretensiosas. Os percalços enfrentados em Hogwarts e o fascínio por Lily fizeram com que James mostrasse sua verdadeira e amadurecida personalidade e o aproximasse do seu destino – casar com a mulher de seus sonhos.

A benevolência e lealdade de James, características tão presentes no próprio Harry, são demonstradas quando a história do personagem é aprofundada durante a saga. O esforço em se tornar animago para acompanhar o amigo lobisomem nas atormentadas noites de transformação e o risco para salvar um inimigo de uma armadilha perigosa mostram que o verdadeiro James fora moldado durante os anos e se transformou no homem forte, benevolente e corajoso que conquistou Lily, casou com ela e abdicou da própria vida para salvar a família.

Os desafios enfrentados pelo casal na escola, no entanto, foram substituídos pelos anos de treva ocasionados pela ascensão de Voldemort e a dominação de boa parte do mundo bruxo.

Diante do cenário de caos, mortes, barbaridades cometidas por comensais da morte e o alastramento da magia das trevas, fora criada a Ordem da Fênix, grupo formado durante a Primeira Guerra Bruxa com o intuito de derrotar Voldemort. Entre os bruxos habilidosos que compunham a organização, estavam Lily e James Potter, que foram cobiçados pelo Lorde das Trevas desde o início de seu recrutamento.

No entanto, o que de fato conectou Voldemort aos Potter não foi a ambição de tê-los como comensais da morte: foi a figura do filho deles, Harry, que tinha apenas um ano de vida. O interesse fora despertado por uma profecia de Sibila Trelawney, que dizia que aquele que detinha o poder de vencer o Lorde das Trevas nasceu dos que o desafiaram três vezes ao terminar o sétimo mês, e que Voldemort o marcaria como igual, mas ele teria um poder que o bruxo desconhecia.

Obcecado o suficiente com a manutenção do seu poder para seguir uma profecia, Voldemort seguiu as características dadas por Trelawney em suas palavras proféticas e seguiu à caça de um menino nascido nos últimos dias de julho e que tinha como pais pessoas que já tinham lhe desafiado três vezes. O Lorde das Trevas decidiu, então, que Harry era o menino de quem a profecia tratava, e foi em até Godric Hollow’s para matá-lo.

Mesmo com as tentativas dos Potter de se esconder para preservar a vida do filho, uma traição fez com que Voldemort descobrisse sua localização. Chegando à casa, se deparou com James, que, desesperado, se pôs à frente do bruxo em prol da segurança de sua família. Fora o primeiro a morrer. Lily se encontrava no andar de cima, com Harry no berço, disposta a defendê-lo a qualquer preço. Fora essa devoção e amor incondicional  que ocasionaram a proteção mágica que impediu Harry de morrer.

O sacrifício de Lily o protegeu da maldição imperdoável lançada por Voldemort, contaminada por ódio. A morte de uma mãe devota fez com que o filho fosse revestido por uma magia inestimável, capaz de livrar da morte e destruir o mal. Em meio aos corpos caídos dos pais e do que sobrou de Voldemort, que debandou da residência, Harry chorava sem saber como seu destino fora afetado.

Mesmo sem conhecer seus pais e crescer em meio ao descaso, Harry carregou suas características mais virtuosas com ele. Sua história fora, desde o princípio, permeada por proteção, lealdade e um elemento às vezes subestimado, mas de poder inenarrável: o amor. O amor de seus pais foi o que salvou sua vida quando criança e o amor de seus amigos quando mais velho foi o responsável pela resistência que o levou ao êxito contra as forças do mal.

No primeiro livro, um empolgado bruxo diz que não se surpreenderia se o dia 31 de outubro ficasse conhecido como o dia de Harry Potter. Hoje, tantos anos depois, os fãs comemoram o Potter Day numa esperançosa maneira de celebrar o amor, o sacrifício dos bons e manter a memória de que mesmo com a corriqueira prevalência dos cruéis, a bondade nos mostra qual o caminho a se escolher quando se depara com o que é fácil e o que é certo.

 

2 thoughts on “Potter Day – Um artigo sobre os Potter e o Menino Que Sobreviveu

  • 3 de November de 2017 at 22:25
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    Que texto MARAVILHOSO! Cada dia mais saindo textos ótimos como esse sobre universo Harry Potter! Parabéns Mari!

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  • 3 de November de 2017 at 22:30
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    Uma bela explicação sobre o Potter Day e sobre o amor entre Lily e James. Parabéns Mari por textos tão incríveis e a cada dia mais inspiradores.

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