Análise | Liga da Justiça

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O ano de 2016 foi bastante complicado para a Warner Bros. Apesar de bons retornos nas bilheterias, Batman vs Superman: A Origem da Justiça e Esquadrão Suicida dividiram opiniões e deixaram dúvidas e incertezas sobre os rumos que a DC Comics vinha adotando para o seu universo cinematográfico. A grata surpresa que foi Mulher-Maravilha, que além de bem avaliado por público e crítica também se tornou o filme de origem de super-herói de maior bilheteria de todos os tempos, conseguiu despertar um pouco de alívio e esperança. Mas o teste final, aquele que bateria o martelo, que definiria o futuro da editora nos cinemas, era o aguardado Liga da Justiça. 

Se passando pouco tempo após os eventos de Batman vs Superman, a trama traz um mundo ainda de luto pela perda do Homem de Aço e carente de esperança (os créditos iniciais, embalados por um linda versão de Everybody Knows de Leonard Cohen, captam bem esse delicado momento). Sentindo-se culpado pela morte do Superman e ciente que o mundo precisa ser salvo, Batman monta uma equipe de seres poderosos a fim de deter a ameaça do Lobo da Estepe, invasor que precisa encontrar três artefatos alienígenas capazes de destruir o planeta.

Ainda que possua um pouco do clima sombrio de BvS, Liga da Justiça pende mais para o tom abordado em Mulher-Maravilha, mais leve e com cores mais vibrantes. O roteiro de Chris Terrio e Joss Whedon alivia um pouco o espectador com uma premissa simples e cenas de humor perfeitamente pontuais, algo que a Marvel deveria aprender. Dono de uma conturbada produção, que inclui refilmagens e saída do diretor Zack Snyder devido a problemas familiares durante a pós-produção (sendo substituído por Whedon), o filme surpreendentemente consegue se sair bem e proporciona um bom entretenimento. Snyder escutou as críticas e atenuou um pouco seu estilo, apesar do perfeccionismo de enquadramento e tomadas em slow motion continuarem presentes, entregando belas cenas de ação, com destaque para o combate entre as Amazonas e o Lobo da Estepe e a primeira luta da equipe contra o vilão. Apoiada na boa trilha sonora de Danny Elfman, que desperta a nostalgia de qualquer um ao revisitar os temas dos longas Batman (1989) e Superman: O Filme (1978), são cenas bem trabalhadas e de fácil compreensão, diferente dos terceiros atos de O Homem de Aço e BvS.

Não espere um clima pessimista ou sensação de grande perigo: o vilão, Lobo da Estepe (interpretado por Ciarán Hinds, o Mance Rayder de Game of Thrones), nada mais é do que um apoio para que possamos ver a união da equipe, já que em momento algum ele consegue ser ameaçador e crível. Dono de frases de efeito vergonhosas e de um visual em CGI mal trabalhado (reparem na falta de sintonia entre suas falas e os movimentos de seus lábios), o personagem é mais uma decepção para o hall de vilões da DC, mas não compromete. Possuir heróis cativantes e um elenco talentoso compensa. Mais à vontade, Gal Gadot se sai muito bem como Mulher-Maravilha, ganhando um bom dilema e destaque (merecido, afinal se não fosse o filme dela…) nas batalhas. Ray Fisher como Cyborg, possui um bom drama existencial e, contrário ao que muitos pensavam, é essencial à trama, embora seu visual “transformer” não convença completamente. Como Aquaman, Jason Momoa, minha maior preocupação, possui boas cenas de ação e humor e nada mais isso. O ator consegue ser carismático e tem presença em cena, mas tem sua mitologia pouco desenvolvida, o que será resolvido no vindouro filme-solo do personagem no ano que vem. E para aqueles que achavam Grant Austin era insubstituível, Ezra Miller consegue entregar um alívio cômico funcional (a piada envolvendo Cemitério Maldito é hilária)e um Flash simpático, gerando identificação com o público, principalmente na cena onde ele conhece a batcaverna. Os oscarizados J.K. Simons (Comissário Gordon) e Jeremy Irons (Alfred), infelizmente aparecem menos do que deveriam, mas com certeza terão seus momentos em The Batman.

 

Ben Affleck e Henry Cavill são os que possuem a mudança mais chamativa no elenco. Diferente do vigilante sombrio que triturava criminosos, o Batman de Affleck agora está mais receptivo e até rende boas piadas. Já o Superman de Cavill, cujo retorno não é nenhuma novidade, exala simpatia e finalmente consegue inspirar a esperança que o escoteiro de Krypton carecia nos filmes anteriores.

Além do vilão genérico, Liga da Justiça tem como defeito o excesso de CGI, principalmente na construção de cenários (até cenas passadas na fazenda Kent possuem o recurso), e um ritmo acelerado demais no final. Um pouco de contemplação e uns 15 minutos a mais fariam uma eficaz diferença. Mas nada tira o mérito da Warner, Snyder e elenco, que, após várias surras (e tomatadas) conseguiram encontrar o tom, mesmo que cedendo um pouco ao visual e narrativa da Marvel. Pode ser o bastante para acalmar fãs e críticos. Por ora.

Obs.: Não percam as duas cenas pós-créditos!

Nota: 

 

 

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