Olhar Crítico #2 | Zack Snyder e a gramática da câmera lenta

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Liga da Justiça estreou finalmente neste mês de novembro, e como era de se esperar, divide opiniões, dos que amaram tudo no filme aos que odiaram exatamente tudo. Nesses dois grupos, uma coisa permanece sempre nos argumentos elogiadores e crítico-negativos: a influência de seu diretor, Zack Snyder.

Se há um diretor que tem dividido opiniões de modo bem polarizado nos últimos tempos, esse alguém é Zack Snyder. Há aqueles que amam o estilo do diretor, e há aqueles que o odeiam ferrenhamente. Esse fenômeno faz nascer a pergunta de 1 milhão: mas qual é o estilo de Zack Snyder que essas pessoas amam ou odeiam tanto? Continue essa leitura, pois a resposta começa agora.

Assinatura Snyder

Snyder tem o que se chama de assinatura de direção. Ele pegou uma série de técnicas de filmagem e direção e as utiliza quase que em conjunto em seus filmes – alguns dizem que ele segue uma receita de bolo, com os ingredientes sendo misturados seguindo uma ordem de aparição. Não é difícil percebê-las nos filmes do diretor de Liga da Justiça, e abaixo as listamos para que você possa ter um olhar crítico da visão do diretor quando for assistir a seus filmes no futuro.

Slow e fast motion

Nicholas Proferes, um pós-doutor em fotografia, escreveu um livro sobre técnicas de direção em que dedica todo um capítulo ao que chama de gramática da câmera. Ou seja, o que o diretor deseja dizer com a câmera em suas mãos. Trazendo esse conceito para a assinatura de Snyder, ele tem um modo de querer dizer ao público que aquilo sendo mostrado é único e que o público tem acesso a uma perspectiva especial. Para isso, ele utiliza de um artifício de diminuir a velocidade das cenas de ação de seus filmes em momentos impactantes, fazendo também a inversão de ângulos e perspectivas que detalham um soco com uma forma marcante, querendo dar um efeito épico.

Zoom in e zoom out

Aliado a rapidez e diminuição brusca da velocidade, a “gramática” da câmera de Snyder usa ainda outro recurso quando quer passar a ideia de algo único: em um plano de sequência longo, a câmera faz closes em momentos decisivos ao mesmo tempo em que reduz a velocidade do andamento da cena. Isso é utilizado para dar a ideia de continuidade, sem muitos cortes, e dar aquela impressão de “tirar o fôlego”, como para enfatizar ainda mais a ideia do item anterior. Quando a cena volta ao normal, além do foco em um personagem, o espectador não perde o que está acontecendo ao redor, dando a impressão de riqueza na cena. Em filmes como 300 e Watchmen, Snyder usa e abusa dessas duas técnicas para formar sua ideia e passá-la ao público.

Elementos naturais

Esse primeiro elemento é mais sutil, mas muito presente nos filmes de Zack Snyder. Batman versus Superman, Watchmen, Sucker Punch. Até mesmo seu primeiro trabalho como diretor, Dawn of the Dead, de 2004, traz essa fixação por encher os cenários com elementos da natureza, mesmo em uma cena em  que os personagens não se movem muito. Há sempre folhas caindo, gotas de chuva bem nítidas, há sempre uma coisa para “encher” a cena.

 

Montagem de abertura

E a grande marca de Snyder, suas introduções em seus filmes. As montagens de Watchmen, a introdução de BvS, a introdução até mesmo no novo filme da Liga são quase um clichê do diretor, e até (eu, por exemplo) esperamos por isso em seus filmes.

Zack Snyder ainda vai continuar a dividir opiniões por muitos anos, creio eu. Mas uma coisa fãs e críticos têm de concordar: ele é um ótimo diretor visual, como Ridley Scott e Stanley Kubrick. Não estou fazendo uma comparação, só atestando um fato. Snyder é um diretor que gosta de passar um filme visualmente bonito. Sucker Punch que o diga, já que tinha um roteiro raso, mas um aspecto visual de tirar o chapéu.

E para não deixar você sem visualizar essa gramática snyderiana, fica de olho no vídeo abaixo.

E, se você já viu, ou ainda não, não deixa de conferir a nossa análise do filme Liga da Justiça, mais novo filme do diretor.

 

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