Análise | O Estrangeiro

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O título de ator mais famoso e rentável do mercado asiático pertence ao chinês Jackie Chan, sem dúvidas. Carismático ao extremo e um lutador nato, Chan possui uma carreira marcada por sucessos tanto no Oriente, com clássicos como Detonando em Barcelona, O Mestre Invencível e Projeto China (meu favorito), quanto no Ocidente, com a série A Hora do Rush e Bater ou Correr. Toda sua filmografia é repleta de humor (pastelão, em sua maioria) e cenas de ação e pancadaria em que o ator dispensava dublês (mas não o hospital, posteriormente). Mas a idade chega e os tempos de acrobacias mirabolantes pareciam ficar para trás: Chan divulgou, recentemente, que devido à idade e suas limitações, focará em filmes e papéis mais sérios. Como ele disse uma vez, “antes as pessoas viam meus filmes e se perguntavam como eu fiz aquilo; hoje, se perguntam como eu ainda consigo fazer algum feito”.

Mesmo já tento atuado em filmes sérios, como o tenso drama Massacre no Bairro Chinês (2009), é no seu novo longa, O Estrangeiro, que podemos notar o novo rumo na carreira do astro. Na produção dirigida por Martin Campbell, Chan interpreta Quan, dono de um restaurante chinês localizado em Londres, que tem sua vida tragicamente mudada após um atentado terrorista que tira a vida de sua jovem e única filha. Abalado e clamando por justiça, Quan vai de encontro ao vice-ministro da Irlanda, Liam Hennessy (Pierce Brosnan, o James Bond de 007contra Goldeneye, também dirigido por Campbell), que possui um passado ligado ao grupo terrorista e que não toma nenhuma atitude a respeito do atentado. O que o político não imaginava era que Quan, um ex-militar, faria de sua vida um inferno até conseguir obter suas respostas e vingança.

A premissa do roteiro é bastante interessante e os dois protagonistas são bem apresentados. Chan entrega uma decente atuação dramática e sentimos sua perda (há muita dor no passado do personagem), e apesar de poucas e mais comedidas, suas cenas de luta são bem coreografadas e brutais. O veterano Brosnan demonstra segurança num papel cheio de segredos e desespero conforme a obsessão de Quan se intensifica. O problema é encontrado no tempo desperdiçado com o drama familiar de Liam e a longa e confusa investigação sobre o ataque, deixando de lado a ideia original.

A sensação é de que há dois filmes aqui: um voltado para a vingança de Quan e outro para os desdobramentos do caso em que Liam se encontra. Nessa confusão, quem perde é Chan, que tem seu personagem esquecido diversas vezes ao longo da projeção ou até mesmo descartável, deixando para Brosnan o cargo de protagonista principal.

Caso focasse mais na dupla principal, O Estrangeiro renderia uma frenética sessão ao invés de um produto genérico com um final pouco inspirado. Pelo menos apresentou uma bem vinda nova faceta de Jackie Chan. Claro que o ator ainda entregará alguns filmes mais divertidos (ainda aguardo A Hora do Rush 4), mas já é um começo.

Nota: 

 

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