Análise | Star Wars: Os Últimos Jedi

4.7 (94.67%) 15 votes

Não tem jeito: podem surgir inúmeras franquias cinematográficas, mas nenhuma terá o poder e influência na cultura pop no mesmo patamar de Star Wars. A devoção do público à saga é enorme, e, sabendo disso, a Disney se prontificou a comprar a Lucasfilm e entregar uma nova trilogia e alguns spin offs (Rogue One foi o primeiro, seguido de um longa focado no jovem Han Solo, previsto para o ano que vem). O Despertar da Força, o sétimo episódio da saga, foi um bom começo, mas, apesar do estrondoso sucesso de público, recebeu críticas por sua narrativa semelhante ao episódio IV, Uma Nova Esperança, o que deixou alguns fãs receosos de que a nova trilogia emulasse a trilogia clássica. Bobagens à parte, todo esse “medo” se esvai o assistir ao mais novo capítulo, Star Wars: Os Últimos Jedi.

A protagonista Rey inicia seu treinamento

Escrito e dirigido por Rian Johnson (do ótimo Looper: Assassinos do Futuro) e produzido por J.J. Abrams (que dirigiu o episódio anterior e estará no comando do final da trilogia), Os Últimos Jedi começa pouco após a última cena de O Despertar da Força. Depois de encontrar um recluso Luke Skywalker, a jovem Rey precisa convencê-lo a ajudá-la a dominar o poder da força que habita nela, o que será difícil, visto que o mestre Jedi se culpa pelo fracasso com o sobrinho, Ben Solo, agora Kylo Ren. O atormentado vilão cada vez mais passa a se questionar qual caminho deve seguir,principalmente após a perda da confiança do sombrio Lorde Snoke depois de sua derrota para Rey no longa anterior. Em paralelo, temos o piloto Poe Dameron e a General Leia a frente da Resistência, que vem sofrendo grandes perdas em sua luta contra a tirânica Primeira Ordem, e precisarão da ajuda de Finn e da destemida Rose para concluir uma missão que pode salvar os rebeldes.

Não, o filme não é uma cópia de O Império Contra-Ataca, embora tenha algumas referências, principalmente no treino de Rey. Os Últimos Jedi consegue extrair o melhor do que a série sempre soube fazer: funciona como uma boa analogia a regimes totalitários, guerras e escravidão e como se fazer uma decente jornada do herói. Tanto Rey (a heroína) quanto Kylo Ren (o sombra) são personagens muito bem escritos e com grande desenvolvimento, e contar com o talento de Daisy Ridley (vista recentemente em Assassinato no Expresso Oriente) e do ótimo Adam Driver ajuda. Mark Hamill, agora com mais tempo de tela, entrega uma performance tocante e brilha como um Luke abalado, engraçado e ranzinza, além de possuir excelente química com Ridley. Também veterana na franquia, a saudosa Carrie Fisher é dona dos momentos mais tocantes do filme, sempre passando a segurança e ternura que a General Leia exige. A atriz foi beneficiada pelo roteiro de Johnson, visto que toda suas cenas parecem o canto de cisne da personagem. John Boyega, grande destaque de O Despertar da Força, acaba sendo escanteando para uma trama arrastada, chegando ao ponto de ser considerada descartável. E se alguém se frustrou com o tratamento dado a Gwendoline Christie no episódio anterior, não deve gerar muitas expectativas quanto a participação da capitã Phasma neste.

 

Adam Driver retorna como o vilão Kylo Ren

Tal dedicação ao desenvolvimento de personagens e inserção de alguns novos (como o ladrão gago de Benicio Del Toro e a almirante Holdo, interpretada pela sempre ótima Laura Dern) toma grande parte do roteiro, deixando a narrativa contemplativamente lenta . Mas tudo isso é compensado após o final do segundo ato, quando o espectador é jogado num turbilhão de cenas de ação empolgantes e momentos que elevam até a décima potência a cena final de Darth Vader em Rogue One. Outro bem vindo acerto é o moderado uso do humor, principalmente nos fofos Pogs ou até mesmo o General Hux (Domhnall Gleeson) e até envolvendo Kylo Ren (!). Tecnicamente, o filme é soberbo, contando com direção de arte, fotografia e figurino impecáveis. Os efeitos especiais se misturam bem com alguns mais práticos e entregam aquela que talvez seja a cena mais linda do ano, visualmente falando (não se preocupe, você saberá quando contemplá-la).

Luke Skywalker: recluso após terrível tragédia

Divertido e épico, Star Wars: Os Últimos Jedis é o longa que todo fã merece e uma prova de que a Disney acertou novamente. Contando com participação especial que irá deixar qualquer um exaltado e um final de cair o queixo ou extrair todas as suas lágrimas, é a continuação perfeita para uma nova trilogia que respeita toda a essência e mensagem anti-bélica idealizada por George Lucas nos anos 70 e proporciona diversão nostálgica de primeira. Que a Força esteja com você!

 

Nota:

2 thoughts on “Análise | Star Wars: Os Últimos Jedi

  • 15 de December de 2017 at 00:08
    Permalink

    Deu show na análise hein.
    A vontade de ver aumentou agora!

    Reply
  • 16 de December de 2017 at 02:34
    Permalink

    O filme é muito bom! A crítica ficou boa, embora algumas coisas eu não concorde. Como por exemplo dizer que a trama de Finn é descartável. Discordo. Tirando ele do filme, não teriamos Benicio del Toro (sim, pois graças a tentativa de escapar sozinho é que Finn e Rose vão atrás de um decodificador). E também não teríamos a capitã Phasma (lembra que fim que lutou contra ela?). Resumo: tirando Finn, o final de Star Wars obrigatoriamente teria que ser outro. Outro ponto é a nota: 4,5. Se o filme é épico, e é a continuação perfeita, qual o motivo de não receber 5? Fora isso, a crítica ficou bem escrita e com boas referências, o que aumenta a riqueza do texto.

    Reply

Leave a Reply

%d bloggers like this: