Análise | Beasts of Burden: Rituais Animais

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Certa vez, o renomado artista Mike Mignola chegou a comentar que Beasts of Burden é uma HQ de investigação sobrenatural digna de substituir sua criação, o demônio Hellboy. Só isso é o suficiente para você adquirir Beast of Burden: Rituais Animais, quarto material publicado pela editora Pipoca e Nanquim. Não se deixe enganar pelos fofos animais que compõem a bela capa ilustrada por Jill Thompson (Sandman): zumbis, sapos demoníacos, lobisomens e assassinos estão à espera do leitor.

Vencedora de 8 prêmios Eisner (apenas), Beasts of Burden foi concebido pelo roteirista Evan Dorkin e pela artista Jill Thompson como uma história curta para a antologia The Dark Horse Book of Hauntings. Intitulada Stray, o conto apresentava um grupo de animais habitantes da fictícia cidade de Burden Hill tendo que lidar com um fantasma canino que assombra a casinha do pobre Beagle Jack. O sucesso foi o bastante para a dupla ampliar a mitologia da cidade e de seus personagens, gerando uma série regular. Além de Jack, o grupo de animais investigadores ocultistas e exorcistas é formado pelo fiel Husky Campeão; o medroso Dobermann Rex; o hiperativo Fox Terrier Branquelo; o sarcástico e ranzinza Pugs (que, de cara, me cativou e aumentou o meu desejo de possuir um Pug) e pelo corajoso gato Órfão.

Dorkin joga o leitor numa atmosfera sobriamente nostálgica, que o remete a obras como Conta Comigo, Os Goonies, Cujo e Cemitério Maldito (os dois últimos, obras de Stephen King), e entrega personagens carismáticos, engraçados e com grande sintonia, tornando o fato de haver pouca presença humana nas histórias algo esquecível.Seu roteiro alterna terror com comédia com perfeição: em uma página me peguei rindo com as cínicas sacadas de Pugs ou com o atrapalhado Branquelo; já em outras me senti surpreendido com histórias envolvendo licantropia ou um serial killer de animais. Auxiliado pela bela arte e pintura aquarelada (e premiada) de Thompson, esses momentos tanto chocam como enchem os olhos do leitor. Basta olhar os lindos quadros de Não se deve perturbar o sono dos cães e Perdido (minha história favorita) para notar que as cores e desenhos da artista deixam cenas violentas ou tristes charmosamente acessíveis.

O encadernado nacional, que copila Beasts of Burden 1-4 além de mais quatro contos (Stray incluso, claro), possui um acabamento luxuoso (capa dura, lombada de couro e ótimos extras), cortesia da editora Pipoca e Nanquim. Mesmo já tendo entregue materiais excelentes, como Espadas e Bruxas, Cannon e Moby Dick de Chabouté, Beasts of Burden: Rituais Animais se destaca e com certeza estará nas listas de melhores leituras do ano de vários amantes de boas histórias ( já se encontra no meu top 3). Agora, irei ler mais uma vez e tentar me convencer que possuir um Pug é uma boa ideia.

Nota:

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