Análise | A Origem do Dragão

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Qualquer amante das artes marciais ou de filmes voltados para o gênero de luta sabe reconhece a importância do ator, diretor, roteirista e lutador Bruce Lee para o kung fu. Responsável por tornar o estilo mundialmente conhecido através de filmes como A Fúria do Dragão, O Jogo da Morte e O Voo do Dragão (onde enfrentou outro mito, Chuck Norris) e também pelo seriado O Besouro Verde, Lee já teve sua vida explorada diversas vezes, com destaque para Dragão: A História de Bruce Lee (1993, dirigido por Rob Cohen) e a minissérie A Lenda de Bruce Lee, disponível no Netflix. E agora, mais de 40 anos após sua precoce morte, ganha mais uma biografia, só que desta vez voltada para um momento crucial na sua jornada.

Em A Origem do Dragão, o diretor Georgi Nolfi (de Os Agentes do Destino, com Matt Damon) foca na vida de Lee (Philip Ng) 9 anos antes de desfrutar o sucesso de Operação Dragão, quando atuava como professor em São Francisco. Suas táticas e o fato de ensinar a arte marcial chinesa a estrangeiros desperta o interesse e repulsa do monge shaolin Wong Jack Man (Xia Yu), que se recupera de uma derrota espiritual. Enquanto Lee promove o kung fu como meio de proteção contra a violência das ruas e se proclama a evolução do estlio, Wong acredita que ele ainda possui limitações. Um embate entre o kung fu shaolin e o progressista é eminente. Em paralelo, a trama acompanha o jovem aprendiz de Lee, o fictício Steve (Billy Magnussen), que precisa livrar sua namorada chinesa da posse da máfia local e encontra apoio em Wong.

O longa apresenta excelentes cenas de lutas, cortesia do coreógrafo Corey Yuen, parceiro de outras lendas como Jet Li e Jackie Chan, com destaque para uma violenta porradaria num restaurante e, claro, o embate entre os protagonistas. Embate que, por mérito dos roteiristas, também se estende a questão filosófica e ideológica, já que ambos discutem não apenas com golpes o que realmente o kung fu significa. Philip Ng pode não parecer muito com Bruce Lee, fisicamente, mas consegue capturar os maneirismos do ator (bastante arrogante nesse período) e mandar bem bem nas lutas, assim como Xia Yu, que demonstra leveza e paz, tanto em sua atuação quanto na pancadaria.

Somado a uma eficaz fotografia e boa retratação de época, A Origem do Dragão tinha tudo para ser um golpe certeiro se não fosse a desnecessária trama envolvendo o fraco Magnussen. O personagem, inicialmente usado como meio de identificação entre o espectador e a trama, apresenta um arco envolvendo uma paixão pouco convincente e que é usado de maneira ridícula para instigar a luta entre Wong e Lee. Essa descartável história toma bastante tempo da projeção, acarretando o deslize de relegar Lee a um papel de coadjuvante num filme voltado para ele. Por fim, um contraditório tom cômico surge e toda a pouca seriedade que o filme apresentava se esvai.

A Origem do Dragão pode convencer como passatempo descompromissado e bom filme de artes marciais, mas passa longe de uma biografia fiel e convincente. A luta mais difícil da carreira de Bruce Lee merecia um filme que, de fato, ressaltasse a importância do evento, responsável por mudar conceitos do lutador e o faria fundar o Jeet Kune Do, seu mortal estilo. O grande acerto mesmo foi me despertar a vontade de rever os filmes do astro ou até mesmo a superior biografia de 93, porque, assim como o Lee retratado aqui, A Origem do Dragão tem suas limitações.

Nota:

 

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