O Natal em Hogwarts

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As festividades natalinas, quando vistas de um prisma mais genérico e desvinculado das crenças que porventura cada um venha a ter, representam amor, harmonia, união e aconchego. O Natal é tempo de se unir com os familiares, praticar o perdão e presentear e ser presenteado para estreitar os laços já firmados ao decorrer do ano. Para o mundo bruxo, o sentido natalino não poderia ser diferente.

Harry Potter passou os primeiros onze anos de sua vida sem saber o significado de lar ou família. No entanto, experimentou no primeiro ano em Hogwarts a sensação de ter um lugar em que finalmente se sentiu em casa, com pessoas por quem nutria mais estima do que os Dursley, que não lhe davam afeto algum. A consolidação de todos esses sentimentos, de finalmente ser abraçado e encontrar o aconchego, se deu quando o Natal chegou em Hogwarts.

O clima no castelo muda de forma palpável. Os professores se unem para enfeitar o salão principal, que é ornamentado com 12 árvores de Natal anormalmente altas trazidas por Rúbeo Hagrid e adornadas pelo professor Flitwick com enfeites espetaculares. Uma grossa camada de neve cobre os arredores do castelo e as corujas tentam, em meio ao céu tempestuoso, entregar correspondências destinadas aos familiares queridos.

É opcional passar as férias de Natal em Hogwarts. Muitos alunos retornam às suas casas para aproveitar as festividades natalinas com seus entes mais próximos. Para o júbilo de Harry, seu amigo Rony ficou no castelo durante o período natalino em seu primeiro ano letivo, aproveitando com ele as maravilhas que Hogwarts prepara para aqueles que permanecem em seus aposentos.

Já surpreso com a alegria dos professores e a comoção do castelo, Harry não sabia o que lhe esperava no dia do Natal. Se em seus Natais passados recebera apenas indiferença dos Dursley, que presenteavam o filho com os melhores brinquedos e deixavam Harry ao relento, em seu primeiro ano em Hogwarts as coisas estavam sendo diferentes. Ao acordar, viu uma pequena pilha de embrulhos ao pé de sua cama. Harry diz: Olha só! Ganhei presentes!, ao que Rony responde: E o que é que você esperava? Nabos?. Mal sabia o amigo que muitos anos de indiferença o ensinaram a não criar expectativas em qualquer ocasião festiva.

Ao abrir os pacotes, Harry descobrira ter ganhado uma flauta tosca de madeira entalhada pessoalmente por Rúbeo Hagrid, uma suéter tricotada com linha grossa verde-clara e uma grande caixa de barras de chocolate feito em casa, dados pela Sra. Weasley, uma grande caixa de sapos de chocolate enviada por Hermione e uma moeda de cinquenta pence dos Dursley (Harry deixou para Rony, que se interessou pelo dinheiro trouxa). Por fim, ao abrir o último pacote, uma coisa sedosa e prateada escorregou para o chão, onde se acomodou com dobras refulgentes. Seria o primeiro contato de Harry com a capa de invisibilidade de seu pai, guardada com carinho por Dumbledore. Junto a ela, vinha um bilhete: “Seu pai deixou comigo antes de morrer. Está na hora de devolvê-la a você. Use-a bem. Um Natal muito feliz para você”. Pela primeira vez, Harry estava experimentando o amor e cuidado que geralmente acompanham os rituais natalinos.

Mais tarde, fora ainda mais surpreendido pelo almoço de Natal preparado pelos elfos da escola de bruxaria. Harry nunca tinha visto uma mesa com tamanha fartura, e tampouco já tivera permissão para se deliciar com todas as maravilhas carinhosamente feitas para o almoço natalino. “Harry nunca tivera em toda a vida um almoço de Natal igual àquele. Cem perus gordos assados, montanhas de batatas assadas e cozidas, travessas de salsichas, terrinas de ervilhas passadas na manteiga, molheiras com uva-do-monte em molho espesso e bem temperado e, a pequenos intervalos sobre a mesa, pilhas de bombinhas de bruxo. […] Harry puxou a ponta de uma bombinha de bruxo com Fred e ela não deu apenas um estalinho, ela explodiu com o ruído de um canhão e envolveu-os em uma nuvem de fumaça azul, enquanto caiam de dentro um chapéu de almirante e vários camundongos brancos, vivos.

Porém, muito mais do que presentes ou ceias fartas, Harry se sentiu envolto por sentimentos que nunca o acometeram em todos os anos que passara trancafiado na casa dos Dursley. Sentiu a união, as risadas, o aconchego e a paz trazidas pela reunião com a família, visto que, mesmo que não tivesse laços sanguíneos com os demais presentes, estava inequivocamente enlaçado pelo amor que os envolvia.

Mais uma vez, J.K. nos ensina que não importa a quantidade de comida, a altura da pilha de presentes ou o grau de parentesco com as pessoas que estiverem ao seu lado. Se você estiver rodeado por aqueles que ama, sentido a felicidade que apenas o amor concede, o significado do Natal estará presente em seu coração.

Almejando que seja esse o sentimento que rodeia nossos leitores hoje, a MaxCon deseja um feliz Natal para todos vocês!

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