Quais são os objetos realmente cortantes?

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Em 2018, teremos a estreia pela HBO de uma minissérie baseada em Objetos Cortantes, o primeiro livro de Gillian Flynn, autora de Garota Exemplar e Lugares Escuros (que já foram, e bem, adaptadas para o cinema). A história terá Amy Adams (Liga da Justiça) no papel de Camille Preaker, uma repórter que tem de voltar a sua terra natal para escrever sobre um assassino que mata brutalmente meninas. A marca do assassino é que ele arranca fora os dentes de suas vítimas.

Até aí, uma história-padrão de Hollywood, típico modelo pronto para virar filme. Mas é justamente aqui que Gillian Flynn mostra o que está por baixo do pano. Nesse caso, o que corta não é o assassino que escolhe crianças pequenas como suas vítimas, nem mesmo a comoção que isso provoca na pequena cidade de Wind Gap. E não é à toa que o nome da cidade significa “Lacuna de vento” (tradução aproximada). O que corta, e corta a alma, é a depressão e a solidão da protagonista, Camille. É ter que voltar não para sua terra, mas para uma vida de isolamento, de máscaras e, literalmente, cortes no corpo. É ter que encarar a emulação do amor sendo moldada como uma casa de bonecas, em que tudo tem que ser perfeito.

Talvez o melhor momento do livro, aquele que o resume de modo perfeito em sua essência, seja o capítulo quatro, em que Camille descreve toda sua trajetória, em frases curtas (o estilo de Flynn, com parágrafos em frases de uma linha, casa perfeitamente com a sequidão com que Camille enxerga a vida), tudo o que a tornou no que é hoje. Tudo se encaixa no monólogo desse capítulo, e entendemos que a vida pode ser um objeto cortante, por vezes o mais doloroso de todos.

Se a série dirigida por Jean-Marc Vallée conseguir captar essa essência por baixo da trama que faz de Objetos Cortantes essa leitura interessante, termos uma das melhores produções do ano que chega, com certeza. Esperamos que o elenco de apoio, tão importante para a personagem principal e seus dilemas, especialmente a mãe de Camille, Adora, tenham a importância que o enredo merece, e assim, de fato, veremos objetos que cortam de forma invisível, mas que deixam marcas profundas em nossos corações.

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