Análise | Black Mirror – Temporada 4

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Antologia criada por Charlie Brooker, Black Mirror chega muito bem ao seu quarto ano, com 6 episódios, todos disponíveis na Netflix com as temporadas anteriores. Sempre trazendo o impacto da tecnologia na sociedade, a série continua ótima, ainda que não supere a temporada anterior. A seguir, a análise dos episódios:

USS Callister

O que poderia ter sido apenas uma sequência de referências e homenagens a Star Trek e séries do gênero, acaba encontrando uma originalidade bem característica do Charlie Brooker. O mais divertido dos episódios de toda a série, USS Callister desenvolve bem a trama de um “clone” que resolve se rebelar com seu criador, um tema já comum, mas aqui é conduzido de maneira bem fluída, com momentos hilários contrastando com momentos de tensão. O episódio ainda traz a melhor frase já dita na série, sobre o roubo de uma certa parte íntima do corpo da protagonista.

Arkangel

Dirigido por Jodie Foster, o denso episódio sobre superproteção materna aliada a uma tecnologia que permite à mãe acompanhar todos os passos da filha, traz Rosemarie DeWitt nessa que é minha atuação favorita da série. É um episódio dramático que possui direção e roteiro sinérgicos e uma personagem principal bem construída, o que deixa um caminho aberto para a empatia do público. Mesmo se tratando de uma pessoa com um pezinho na paranoia, a personagem de DeWitt nos deixa apreensivo junto com ela quando sua filha resolve por aí para viver a própria vida.

Crocodile

Por um lado temos uma personagem que tenta encobrir um crime do passado ao passo que outra personagem investiga um acidente através de um dispositivo, similar ao já visto em Blade Runner, que permite acesso à memória das pessoas. A forma com que ambos os núcleos caminham até se encontrarem é realizada de uma forma que, mesmo sabendo que não há como a protagonista não se chocar com a investigadora, ficamos naquela dúvida se torcemos para ela escapar ou se torcemos para que a justiça seja feita. O final aqui é um final bem Black Mirror, então não espere um desfecho qualquer.

Hang the DJ

A tecnologia desenvolvida aqui é a evolução do Tinder, que agora marca os encontros das pessoas e define por quanto tempo o relacionamento vai durar, até encontrar “o par perfeito” para o usuário. Além de ilustrar bem como a insegurança das pessoas pode ser prejudicial aos relacionamentos (e talvez para qualquer coisa na vida), o episódio possui um texto afiadíssimo em certos momentos e serve como crítica à atual forma com que as pessoas se relacionam amorosamente. É um ótimo episódio, mas olhando a temporada como um todo, fica abaixo dos demais.

Metalhead

Belo visualmente, o primeiro com fotografia em preto e branco da série, Metalhead é o mais tenso da temporada. Mostra a protagonista numa fuga interminável de um tipo fatal de cachorro robótico num lugar com ambientação pós-apocalíptica. David Slade, que já dirigiu episódios de outras séries como American Gods, Hannibal e Breaking Bad, fez um trabalho bastante competente na direção e graças a isso Metalhead talvez seja o episódio a se levar para as categorias técnicas do próximo Emmy.

Black Museum

Foi uma excelente escolha de incluir esse episódio por último, pois ele traz um apanhado de referências à série inteira, citando acontecimentos dos episódios anteriores como os aclamados White Bear e San Junipero, oficializando o universo compartilhado em que os episódios da série fazem parte. Aqui três histórias são contadas e fica aí apenas a vontade de que cada uma tivesse seu próprio episódio, pois são muito bem elaboradas. É meu episódio favorito da temporada, com um característico plot twist no final. Excelente.

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