Análise | Superman: Entre a Foice e o Martelo

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Por mais que seja um herói dedicado a proteger a humanidade, o Superman sempre foi considerado um símbolo de poder americano. Ciente disso, o roteirista Mark Millar, responsável por algumas Hqs emblematicas como Guerra Civil e Os Supremos (em particular, o melhor clássico da Marvel) propôs uma premissa peculiar: como seria o mundo se o Homem de Aço fosse criado na socialista União Soviética em vez do capitalista Estados Unidos? E com esse plot instigante somado aos talentosos artistas KilIan Plunkett e Dave Johnson  (capista de 100 balas), um clássico moderno da DC Comics surge: Superman – Entre a Foice e o Martelo.

O roteiro de Millar situa rapidamente o leitor nessa realidade alternativa na qual nave de Kal El caiu numa fazenda na Ucrânia. Nada de Smallville aqui. Apadrinhado por Stalin e usado como meio de promoção do socialismo, o Superman soviético logo chama a atenção do mundo através de seus feitos, principalmente da repórter Lois Lane e de seu marido, o obsessivo cientista Lex Luthor. Encarregado pelo governo americano de eliminar a poderosa arma soviética, Luthor usará todas suas artimanhas, desde criar poderosos adversários (como um Bizarro americano, algo genial) até usar poderes de uma lanterna verde encontrada ao lado de um alienígena morto. Enquanto na URSS, o Superman e sua aliada, Mulher-Maravilha, precisamos lidar com terrorista Batman, que quando criança teve os pais assassinados pela tropa de Stalin e agora, com grande arsenal, declara guerra ao regime.

Entre a Foice e o Martelo apresenta uma das melhores versões do Superman, com uma incrivel evolução : de inocente herói até um ditador de métodos pouco ortodoxos que deixariam até a louca versão de Injustiça abismada. Em contrapartida, há um Luthor mais obcecado do que nunca, mas que ao poucos vai ganhando empatia do leitor a medida que o Superman vai se perdendo em sua jornada para transformar o mundo em utopia (o que, de fato, vai conseguindo e fazendo com que os EUA sejam o único país capitalista naquela realidade).

A ambientação da história se passa através de décadas, com início nos anos 50 e caminha junto com vários fatos históricos, como a morte de Stalin. Os belos desenhos da dupla de artistas contribuem bastante, deixando a obra com um aspecto retrô e lembrando a clássica animação dos estudios Fleischer.

Há anos recebendo pedidos de relançamento, a Panini entrega a obra num formato de luxo e de preço acessível, o que torna imperdoável alguém deixar essa publicação passar. Pois assim como A Morte do Superman, O Que Aconteceu ao Homem de Aço? e Grandes Astros: Superman, Superman: Entre a Foice e o Martelo é um clássico absoluto.

Nota:

 

 

 

 

 

 

 

2 thoughts on “Análise | Superman: Entre a Foice e o Martelo

    • 15 de January de 2018 at 13:56
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      Vale muito a pena ler!! Principalmente por estar nos planos da Warner de transformar a hq em animação. 😉
      Abraço!!

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