Análise | Projeto Flórida

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E não é que o Sr. Blockbuster foi escalado pra falar de Projeto Flórida (The Florida Project) aqui na MaxCon. Mas calma: nessa análise você não vai ler spoiler e nem críticas negativas, pelo contrário, Projeto Flórida é um dos filmes mais “reais” e surpreendentes que assisti nos últimos anos.

Para muitos a Flórida é um lugar de sonhos e magias, graças aos seus parques que remetem até mesmo a um ideal de perfeição, afinal de contas o Mickey mora lá, não é verdade? Mas é graças ao olhar do diretor e roteirista Sean Barker que somos apresentados a uma nova Flórida, uma realidade que não vemos e que é repleta de motéis que abrigam famílias que moram em um pequeno quarto e lutam todos os dias para se manter naquele local.

Apesar de sermos apresentados no decorrer do longa a vária famílias, algumas não sei nem se eram apenas figurantes nas filmagens, o foco está nas histórias da pequena Moone (Brooklynn Prince) e sua mãe Halley (Bria Vinaite) que moram em um Motel ironicamente chamado de Magic Kingdom, que no final do filme tem uma referência incrível do porque ele se chama assim, e que vivem a vida diferente das rainhas e princesas do parque da Disney.

Halley (Bria Vinaite) e sua filha Moone (Brooklynn Prince)

As histórias de Moone e Halley correm em paralelo. No começo, vemos uma criança que não quer saber de ipad, iphones ou coisas do mundo tecnológico. Sua maior diversão é sair com os amigos pela vizinhança para brincar, seja do clássico esconde-esconde, explorar lugares abandonados, ou até mesmo tomar um simples sorvete. Por falar em comida, o maior prazer da pequena protagonista é comer. As cenas que envolvem comida vai de diversão, como o concurso de arrotos, a emoção, ao vermos ela aproveitando um café da manhã de um hotel de luxo.

Já a história da Halley é um pouco mais complicada, pois vemos uma jovem mãe solteira que mesmo não sendo um exemplo de educação para a filha, faz de tudo para não tirar o sorriso de seu rosto e pra manter uma moradia para as duas. Bobby (Willem Dafoe) é outro personagem muito importante na vida delas. Ele é o gerente do Motel que mãe, filha, e dezenas de outras famílias residem, fazendo o papel de pai tanto da pequena Moone como da crescida e perdida Halley.

Bobby (Willem Dafoe) com Moone em ação

O curioso é que o diretor Sean Barker é o responsável por fazer Tangerine, longa de 2015 que foi filmado em um iphone e foi um sucesso de público e crítica. Claro que não podemos comparar a qualidade de imagem, som e etc, mas isso independe da maneira que o longa é filmado, já que por trás de um celular ou um de uma câmera profissional tem uma mente brilhante que consegue captar a inocência de uma criança, o amor de uma mãe, o cuidado de um homem de boa fé, tudo isso em meio a um caos com pedofilia, prostituição, dor e sofrimento.

Apesar de não gostar de filmes com tantos cortes e vários takes que não fazem sentido, achei o roteiro de Projeto Flórida sensacional e me apaixonei pela interpretação da pequena Brooklynn Prince que com apenas seis anos de idade atua de uma maneira tão natural que nos envolve completamente do início ao fim. O filme é tão bom que comecei a gostar de Williem Dafoe, pois durante toda história ele se destaca pelo seu carisma e bondade que até esqueci sua cara de chato e vilão do Homem-Aranha.

2018 começou agora, mas já tenho um dos meus filmes preferidos do ano.

Espero que também gostem, e quem viu comenta o que achou na área dos comentários e segue as redes sociais da MaxCon.

Nota:

 

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