Análise | O Artista do Desastre

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Há filmes bons. Há filmes ruins. E há filmes que, de tão ruins, se tornam bons e até alcançam o status de cult. Um dos filmes mais cultuados da década passada é The Room (2003), um drama que acaba se tornando uma comédia devido a inexperiência do excêntrico ator, roteirista, produtor e diretor Tommy Wiseau. O longa pode ter recebido o infame título de pior filme de todos os tempos (competindo com o “clássico” Plan 9 From Outer Space, do gênio Ed Wood), mas nem por isso deixou de ser adorado e exibido em várias sessões noturnas até hoje. Para desvendar o segredo por trás do sucesso do filme e do seu criador, o ator, roteirista, produtor e diretor James Franco comanda o genial e hilário O Artista do Desastre.

Baseado num livro homônimo, escrito por Tom Bissel e Greg Sestero, amigo próximo de Wiseau e um dos atores de The Room, a trama foca na relação entre Greg (Dave Franco, de Truque de Mestre, e irmão de James) e Wiseau (James Franco) e o sonho deles de alcançar o estrelato como atores. No fim da década de 90, a dupla resolve se mudar para Los Angeles e procurar oportunidades, mas a carência de talento faz com que Hollywood feche as portas para os dois. Eis que decidem fazer seu próprio filme, totalmente bancado e comandado pelo próprio Wiseau, que misteriosamente é rico e de origem e sotaque desconhecidos.  Orçado em US$ 6 milhões de dólares, The Room teve uma produção difícil justamente pela personalidade difícil de Wiseau, seus problemas em se relacionar com outras pessoas, chegar na hora certa ou até decorar as falas que ele mesmo escreveu. Quanto mais o cineasta se vê obcecado com sua obra, mais Greg se questiona se deve tomar outros rumos, o que abalará a amizade dos dois.

James Franco comanda o genial e hilário O Artista do Desastre.

O Artista do Desastre é um filme sobre sonhos. Claro que não é uma tarefa fácil se apegar a Wiseau e seu narcisismo, mas é louvável o fato que ele não se abalou com as críticas e negações, realizando ele mesmo seu filme que o tornou “famoso”. The Room pode ser considerado um lixo fílmico, mas toda a história por trás de seu criador e de todos os seus envolvidos exala a grande dedicação do cinema independente e paixão pela sétima arte, algo que grandes estúdios parecem não possuir.

A atuação de James Franco é um grande trunfo: com uma maquiagem eficaz e todos os trejeitos e sotaque de Tommy Wiseau, o ator entrega uma hilariante e até certo ponto comovente atuação, basta ver cenas onde ele diloga através de um olhar triste. É o maior trabalho do ator desde 127 Horas e todos os prêmios que vem recebendo (como melhor ator de comédia/musical no última cerimônia do Globo de Ouro) são merecidos, sem falar de uma possível indicação ao Oscar. Até Dave Franco, um ator regular, está bem no papel de um ator péssimo.

A atuação de James Franco é um grande trunfo

O filme ainda conta com presença de atores amigos de Franco, como Seth Rogen, Zac Efron, Josh Hutcherson e alguns mais experientes, como Bryan Cranston e Sharon Stone, além de uma trilha sonora nostálgica.

O Artista do Desastre é um bom estudo sobre desilusões e sonhos em Hollywood, unindo-se a outras boas comédias sobre o gênero,como Os Picaretas e Trovão Tropical. É um bom filme sobre um filme ruim que se tornou bom. Por mais artistas como Tommy Wiseau.

Nota:

 

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