Análise | Três Anúncios para um Crime

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Ebbing, Missouri. A rotina da pequena cidade é mudada é mudada radicalmente após três outdoors, contendo frases que criticam a polícia e principalmente o xerife Willoughby por não solucionar um crime, serem colocados na beira da estrada. A responsável pelo feito é Mildred Hayes, cuja filha foi brutalmente assassinada (sério, de forma muito brutal mesmo) e acha que os cartazes são um bom meio de criticar ou motivar as autoridades. Amargurada e de personalidade forte, Mildred entrará em colisão com os habitantes e policiais de Ebbing, principalmente o violento e atrapalhado oficial Dixon.

Três Anúncios para um Crime, drama escrito e dirigido por Martin McDonagh (do ótimo Na Mira do Chefe), vem acumulando prêmios merecidos em diversas cerimônias, como o Festival de Toronto, Critics Choice Awards e Globo de Ouro, onde venceu na categoria de melhor Filme de Drama. Unanimade entre premiações e críticos, a oscarizada Frances McDormand (Fargo) é a alma do filme, um papel complexo de uma mulher que escolheu a revolta e sarcasmo como meio de seguir em frente após a tragédia, ainda que sua obsessão em punir o culpado a impeça de se relacionar de alguém, incluindo seu filho mais novo (Lucas Hedges, de Manchester a Beira Mar) ou um simpático pretendente (Peter Dinklage, de Game of Thrones). Soberba, McDormand tem grandes chances de colocar as mãos em um segundo Oscar.

Frances McDormand está incrível no filme

Outro grande favorito nas premiações como Melhor Ator Coadjuvante é o veterano Sam Rockwell, que interpreta Dixon. O personagem pode, inicialmente, gerar repulsa do público através de seus discursos de ódio e racismo, mas gradualmente vai crescendo e ganhando redenção, sendo crucial no caminho de Mildred. Ainda servindo de alívio cômico (ele ainda mora com a mãe protetora), Dixon gera grandes momentos ao lado de McDormand, grande mérito de Rockwell, um dos melhores atores americanos. Outro grande trunfo do longa é a atuação do sempre ótimo Woody Harrelson como o xerife Willoughby, que, ironicamente, é a pessoa mais preocupada em ajudar Mildred, apesar de toda a pressão em solucionar o crime enquanto se trata de um câncer.

Woody Harrelson e Frances McDormand em uma cena do filme

Roteirista experiente, McDonagh age bem em não levar a trama para o lado investigativo. Claro que fica a curiosidade em descobrir que foi o responsável, mas Três Anúncios para um Crime é um filme focado nas consequências, indignações e culpa. E vingança, claro. O longa ainda é abençoado com a bela fotografia de Ben Davis e a trilha sonora de Carter Burdwell, que, juntas, entregam um lindo plano de abertura. 

Três Anúncios para um Crime é um dos vários responsáveis por tornar a atual temporada de premiações a mais difícil dos últimos tempos (A Forma da Água é seu grande concorrente). É uma aula de cinema e estudo de personagens, que dificilmente será esquecido caso leve o Oscar.

Nota:

 

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