Análise | Capitão Feio

Rate this post

Um vilão. Não um anti-herói; não uma pessoa que paga de malvada para fazer
a coisa certa no final. Se você espera alguma coisa desse tipo, nem chegue
perto da história dos irmãos Magno e Marcelo Costa. A história do Capitão
Feio, sua origem, é contada do ponto de vista de uma pessoa que não
pretende salvar o dia, que não deseja, secretamente, ter amigos. Não é uma
pessoa que sofre por dentro com um trauma antigo e, por isso, abraçou a
escuridão.
O Feio é o que é: feio, mau, não gosta de pessoas nem de animais. Ele só
cultiva o lixo e seus poderes, que parecem advir dele. E a história mostra
exatamente isso, preservando a essência do personagem criado por Maurício
de Souza em 1972. Os Costa conseguiram, entretanto, uma modernização
expressiva do personagem, que ganhou ares novos e um mundo somente dele,
independente do universo da Mônica e seus amigos (a história rende apenas
uma breve conexão entre os dois mundos). Se alguém lê a história sem
conhecer o personagem, poderá pensar que se trata de uma história sobre o
lixo.


A história mostra o Feio, sem ainda o título de Capitão, em seu dia, bastante
rotineiro, para falar a verdade. Idas ao lixão e experimento sobre a extensão de
seus poderes são mostrados. E é justamente dessa relação que nasce o
conflito do plot. Como dito antes, entretanto, os irmãos Costa nos entregaram
uma obra complexa, que perpassa o próprio modo como nós tratamos nosso
semelhante quando não o conhecemos ou pior, quando não temos interesse
em conhecer.
As motivações do personagem são as de um ser sem empatia nenhuma, que
mesmo causando um acidente grave, pensa somente em si mesmo, sente
somente a si mesmo. Temos, sim, um lampejo de bondade, mas ele é logo
apagado pelo jeito que a sociedade julga o que vê, nem sempre da melhor
forma possível, e esse (pré) julgamento acaba levando a uma ira maior, o que
pode se tornar feio; um Capitão Feio.

Leave a Reply

%d bloggers like this: