Análise | Dunkirk

5 (100%) 2 votes

Filmes com a temática da guerra tem que apresentar algo novo, que os
justifique acima de comparações com seus antecessores. Platoon, O Resgate
do Soldado Ryan foram filmes que trataram o drama da guerra em seus
personagens, aliado a cenas de guerra perfeitamente montadas. Dunkirk, de
Christopher Nolan entra para esse rol de filmes com seu algo único, mesmo
não parecendo querer se tornar, como os filmes citados há pouco, uma
referência do gênero.

A Evacuação de Dunquerque foi retratada ao estilo Nolan: com câmeras de
mão, 2D, tradicional, mas ao mesmo tempo com ângulos abertos, dinamismo e
movimento mesmo nos momentos mais dramáticos, em que geralmente a trilha
conduz as ações – e diga-se de passagem, Hans Zimmer arrasou mais uma
vez. A produção é tão bem-feita que demora um pouco, caso já não se assista
ao filme sabendo disso, das linhas temporais que o perpassam.
Uma semana, um dia, uma hora. Essas três medidas de tempo permitem que o
filme explore toda a ação e toda a dramaticidade de modo constante, o que
acaba se tornando o principal fio condutor do filme. Isso ainda sem se prender
a explicações nem se deixar perder por cenas de ação desmedidas.

O
andamento é bem fluído, mas bem parado, o que permite desenvolver bem a
complexidade dos personagens e subpersonagens da produção.
Só o final de Dunkirk pode ser dito que deixa a desejar, na opinião dessa
análise. Por aí, precisando que o filme terminasse, é que vieram os clichês que
permitiam comparação, especialmente com as cores e o drama de exortação
das qualidades dos Aliados de Spielberg. Aí é que a trilha peca, pois entra na
função de emocionar sem propósito a não ser o do mero espetáculo. O avião
pousando e os momentos de exaltação dos soldados e das batalhas ainda por
vir não nenhuma carga dramática a não ser aquela dada artificialmente pela
trilha sonora, capaz de comover até por um papel higiênico caindo ao chão.
Nolan se prova um diretor competente tecnicamente e ousado, por se
aventurar em um gênero que, a cada produção, exige algo inteiramente novo
dos roteiros. E consegue fazer um filme único, com uma história bem contada,
que peca em alguns pontos, mas que possui um conjunto coeso e muito
satisfatório. Dunkirk é um filme que vale a pena assistir, e que, sem
comparação com predecessores, vale uma segunda e terceira vista.

Nota:

Leave a Reply

%d bloggers like this: