Análise – Voldemort: A Origem do Herdeiro

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Os fãs de Harry Potter sempre foram, desde o princípio, donos de uma densa criatividade e da vontade de destrinchar os diversos segmentos da história criada. Daí veio o enorme número de fanfics, que falavam, em sua maioria, sobre narrativas secundárias que não foram exploradas com enfoque por J.K. Rowling: Lily e James, Snape, Dumbledore, e, sem dúvidas, muitos detalhes sobre a vida do jovem Voldemort.

Tom Riddle tem sua história pormenorizada em vários momentos da saga. Neles, conseguimos mais detalhes sobre sua infância, adolescência, estadia em Hogwarts e a persecução de seus objetivos após se formar. No entanto, a vida de Voldemort não fora tratada com a profundidade devida, e foi o almejo de trazer complexidade aos anos em que começara a arquitetar suas maldades que originou tantas fanfics.

A gênese de Voldemort: A Origem do Herdeiro não é diferente. Sua criação adveio dos esforços de fãs que tomaram as rédeas de uma produção independente a fim de compartilhar com os demais componentes do fandom um aprofundamento da história do vilão. Assim, reuniram um orçamento limitado, oriundo de doações de fãs, conseguiram a autorização da Warner Bros e a técnica da produtora Tryangle Films. Desses ingredientes resultou o média-metragem de 52 minutos e 40 segundos disponível no YouTube.

A história traz a narrativa de acontecimentos advindos dos livros, como o assassinato de Hepzibah Smith pelas mãos de Voldemort, motivado pela ambição do bruxo de transformar a taça da Lufa-lufa e o medalhão da Sonserina (que estavam na posse de Hepzibah) em horcruxes. Também se relata a vontade de Voldemort de permanecer no castelo de Hogwarts lecionando – e a consequente negativa do diretor à época.

Os fatos escritos por J.K., no entanto, foram mesclados com histórias criadas pelos próprios fãs. O roteiro introduz a história dos herdeiros de cada casa de Hogwarts e nos apresenta Grisha McLaggen, herdeira de Godric Gryffindor, que nutria quando estudante uma paixão por Tom Riddle e, ao perceber a dimensão de seus horrores, já na fase adulta, dedica seu tempo e seus trabalhos como auror ao objetivo de dizimá-lo. É necessário, obviamente, dar os créditos e aplausos aos fãs que produziram o filme com amor e esforço. Uma obra feita por fãs para os fãs é louvável e carrega sua importância. Em contrapartida, os defeitos massivos se sobressaem ao decorrer da história.

É impossível ignorar as atuações fraquíssimas, as dublagens extremamente malfeitas dos atores italianos, o roteiro fraco e inconclusivo e a prolongação de uma história que muito promete, mas pouco conta. Após quase 53 minutos, nos deparamos com uma conclusão que nos concede a sensação de que em muito pouco tempo nada foi dito. Somam-se às falhas, ainda, os componentes desconexos e a falta de introdução de uma problemática principal inexistente justamente pelo prolonga mento na inserção de detalhes exordiais.

Não esqueçamos, porém, de exaltar os efeitos especiais impressionantes. As cenas de embates com varinhas em punho eram envoltas por muita magia, com luzes e fagulhas impactantes e bem feitas, trazendo força ao elemento mágico.

Os leitores ávidos de fanfic sabem como existem histórias maravilhosas, densas e coerentes feitas por fãs. Não é o mesmo que ocorre em Voldemort – a origem do herdeiro, que ainda traz pitadas de descaracterização de componentes imutáveis da personalidade do vilão. No entanto, se espera que a produção do fan made e sua visibilidade impulsionem a confecção de outras histórias, outros filmes e o desenvolvimento de outros nichos. Quem não está ansioso para ver uma produção sobre a história de Lily e James?

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