Análise | Me Chame Pelo Seu Nome

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Sutileza. Essa palavra geralmente permeia obras de arte e as mensagens que os artistas almejam passar de forma implícita. Talvez a forma de arte mais impactante seja aquela que subliminarmente lhe sensibiliza e comove através do raciocínio e da dedução, e não do óbvio. Obras estáticas, estátuas congeladas – aparentemente presas pela imobilidade, mas libertas justamente pelo impassível.

Call me by your name se apresenta ao telespectador exatamente como uma obra de arte. Objetos meticulosamente colocados como uma representação da complexidade mental ou da calmaria sentimental constroem lentamente, juntamente com interpretações e diálogos carregados de significado, uma história de envolvimento genuíno e inevitável. Ao contrário de narrativas forçadas, que ilustram a proibição ou o obscuro como elementos necessariamente presentes na representação de uma história de amor, o lídimo desejo de Elio (Timothée Chalamet) é puro, quase visceral. Impulsionado por uma mescla de sentimentos como admiração por Oliver e o aflorar de sua sexualidade, Elio se permite sentir na forma mais autêntica da paixão.

A construção minuciosa de um cenário rico em detalhes

Os elementos que rodeiam o envolvimento dos protagonistas tornam a história ainda mais cativante. O fascínio da juventude, o ímpeto diante do novo e o arrebatamento perante a descoberta dos sentimentos transmite todas as sensações eufóricas que uma paixão deve conceder. Crescido num ambiente desraigado de preconceitos, com um forte componente intelectual e a compreensão acerca da inevitabilidade das relações humanas em suas mais variadas formas, Elio desbrava a si mesmo e a sua percepção acerca do amor. Envolvido pela figura inteligente, enigmática, a princípio distanciada e misteriosa de Oliver (Armie Hammer), nos relembra a efemeridade das paixões, a fugacidade da juventude e a fluidez do amor, que não se limita por paradigmas pré-estipulados.

Com um toque de sensualidade em todas as cenas, traz a sinceridade de um roteiro que, ao transmitir a simplicidade e inocência, alcança a complexidade e a multidimensionalidade de interpretações. Combinado com a fotografia sensível e minuciosa e com atuações intensas de Armie Hammer e Timothée Chalamet (mais jovem indicado a categoria de melhor ator desde 1939), Call Me By Your Name desperta em quem assiste a lembrança das paixões impetuosas da juventude e o anseio de revivê-las nas mais diferentes sensações cotidianas.

Nota: 

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