Análise | Lady Bird: A Hora de Voar

5 (100%) 1 vote

A passagem da adolescência para a fase adulta é sempre marcada por conflitos e anseios, indubitavelmente.

Há aqueles jovens que se negam a amadurecer e encarar as responsabilidades vindouras e aqueles que desejam logo atingir a idade para tirar habilitação, começar uma faculdade longe de casa e da família e até para comprar revistas eróticas. Christine “Lady Bird” McPherson entra no segundo grupo. A protagonista de Lady Bird: A Hora de Voar é um eficiente retrato dessa geração emocionalmente caótica, talvez o melhor exemplar no cinema desde a sarcástica e engraçada Juno. E o trunfo desse filme sobre uma garota de personalidade forte é justamente uma diretora novata de talento imenso.

A atriz Greta Gerwig conquistou críticos e público com o longa Frances Ha, considerado por alguns um cult hippster. Dessa vez, ela se lança em outras áreas, dirigindo e roteirizando este que é um dos mais premiados filmes das temporadas. Lady Bird (Saoirse Ronan) é a típica adolescente cética, questionadora e sonhadora, que almeja uma vida melhor longe de Sacramento e ir para uma faculdade em Nova York. Ela ainda possui um difícil relacionamento com a mãe (Laurie Metcalf, a mãe de Sheldon, de The Big Bang Theory), que tenta trazê-la para a realidade, mesmo que as vezes a impeça de ir em frente com seus objetivos. Lady Bird ainda procura achar um meio de se enturmar com a garota mais popular da sala, enquanto entra numa jornada para perder a virgindade.

Greta Gerwig comanda seu primeiro longa.

Olhando rapidamente, a história pode parecer com várias outras comédias adolescentes, mas Gerwig, talvez passando as próprias experiências para o roteiro, consegue entregar um sopro de originalidade. Nada daqueles jovens apaixonados e açucarados de Nicholas Sparks, temos aqui as frustrações, rebeldia e decepções dessa fase captadas com maestria pela excelente Saoirse Ronan, um turbilhão de emoções e ótimas tiradas. Sua performance lhe garantiu sua terceira indicação ao Oscar (ela já foi indicada por Desejo e Reparação e Brooklyn), além do prêmio de Melhor Atriz Comédia/Musical na última edição do Globo de Ouro. Metcalf (igualmente nomeada ao Oscar) também brilha em todas suas cenas com Lady Bird, com destaque para o sincero diálogo das duas no provador de roupas. Consegui me identificar ali e ,claro, minha mãe. O filme ainda conta com a presença de dois jovens atores requisitados: Lucas Hedges (Três Anúncios para um Crime) e Timothee Chalamet (indicado ao Oscar de Melhor ator por Me Chame pelo seu Nome) interpretam alguns candidatos da protagonista a amor platônico.

Ronan e Metclaf em uma cena crucial do longa

Lady Bird: A Hora de Voar é um retrato sincero e tocante da adolescência e um show de interpretações. Palmas para Gerwig, que quebrou barreiras ao ser indicada a vários prêmios em uma indústria machista que vem perdendo forças. E boa sorte no Oscar.

Nota:

One thought on “Análise | Lady Bird: A Hora de Voar

  • 31 de January de 2018 at 17:52
    Permalink

    É um bom filme. E de fato dá pra se indentificar com muitas situações que já vi. Principalmente com a questão do relacionamento com a mãe.
    E também me fez lembrar dos filmes sessão da tarde kkkkkkkkk só que tratando do tema com uma profundidade.
    Mas em relação ao Oscar…Hummm..

    Reply

Leave a Reply

%d bloggers like this: