Análise | Logan

5 (100%) 2 votes

 

 

Quer um bom conselho? Chame o Jerry Seinfeld.

Após o desempenho tímido do filme Wolverine imortal (The Wolverine) e crítica não tão convencida quanto ao filme que também dividiu opiniões entre os fãs, Hugh Jackman, responsável por encarnar o Carcajú nas telonas, queria o que todo fã mais árduo do personagem sonhava em ter: Um Wolverine raiz, violento com um filme visceral à altura. Nascia então uma esperança de termos uma vez mais, a presença do personagem em adaptações para o cinema.

James Mangold, que havia dirigido o último filme, tinha o sentimento igual, uma sede por maior liberdade criativa para uma adaptação do personagem, unidos nesse desejo os dois somaram forças para fazer quiçá uma continuação direta do último filme. Entretanto, Hugh J. conversando com seu amigo Jerry Seinfeld em um jantar (isso mesmo, o Seinfeld), pediu conselhos sobre seu futuro com relação ao personagem (aqui vão 17 anos vivendo o Wolverine). Jackman perguntou então como o amigo sentiu que seria sua hora de partir daquele “ciclo”, Seinfeld respondeu:

“Eu sempre acreditei que você nunca deve gastar tudo que você tem criativamente porque recomeçar é quase um trabalho hercúleo. Você sempre tem que ter algo na reserva. Vá embora da festa antes que seja tarde demais.”

Essa sábia frase deu ponta pé não apenas para a decisão definitiva de Hugh J. sobre sua última vivência com o “Arma-X”, mas também foi primordial para a decisão de corajosamente adaptar a história com atmosfera de “Old man Logan” (Seinfeld sempre gênio, obrigado <3).

Logan é um “road movie” visceral que fala de redenção, família e outras questões profundas mal resolvidas que tem como pano de fundo um cenário futurista sombrio, dá espaço para metáforas sobre viver em busca de paz interior e sim, estamos falando de um filme que se origina dos quadrinhos.

Talvez sua maior diferença seja a de se tratar definitivamente sobre o personagem, tudo o que o perturba e que está ao seu redor, deixando de lado o clichê da megalomania de salvar (mais uma vez) o mundo de uma ameaça global.

Com palavrões e personagens em decadência (Logan e professor X), tentando sobreviver, escondendo-se de um passado sombrio e inicialmente desconhecido ao início do filme, os roteiristas Michael Green e Scott Frank juntos com o Goldman aproximam o público dos personagens com o mistério, a química e a humanidade que existem neles.

O filme vai deixando pistas à medida em que a trama evolui, tendo agora como força motriz a chegada da Laura/x-23 (Dafne Keen), esse fenômeno de 11 anos que sem dizer uma só palavra durante quase todo o filme, conquista nossos corações. A direção do filme ganha aqui seus méritos por trazer sempre novos elementos e nos contar muito, no pouco, sem diálogos expositivos mas fluidos, deixando apenas a linguagem do bom e velho cinema falar. Alguns erros e pressa de roteiro acontecem da metade para o fim, mas nada que prejudique o filme como um todo.

Com um elenco vasto de estrelas de grandeza maior, tais como Patrick Stewart em sua também última participação como o professor X, “Logan” ganha em peso com seus diálogos muito bem escritos e trama redondinha, e nós ganhamos com uma obra prima que transcende o gênero de heróis, atualmente em alta porém, em constante questionamento quanto a sua data de validade lucrativa para a sétima arte. “Logan” é sem sombra de dúvidas o filme definitivo do Wolverine que todos nós sonhávamos ver, e com uma boa dose da magia do cinema, arrancando lágrimas e suspiros de qualquer marmanjo e mutante mundo à fora.

 

Leave a Reply

%d bloggers like this: