Análise | Roman J. Israel, Esq.

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Denzel Washington, movimento negro, um bom diretor e um bom elenco de apoio são elementos que certamente deveriam garantir um Oscar. Entretanto, não é essa a sensação que se tem ao assistir a Roman J. Israel, Esq. O filme realmente dividiu a opinião da crítica especializada nos festivais em que foi exibido, e podemos ter um vislumbre do porquê.

A trama é confusa, por vezes arrastada e traz Denzel em uma performance no mínimo mediana. Os trejeitos de Israel soam orgânicos, mas não o suficiente para impactar no espectador. O típico outsider, levantando a bandeira do protesto moderno, que é o de manter-se em seus princípios mesmo com o sistema oferecendo tantas tentações. Provavelmente por conta do roteiro, a atuação de Denzel não é capaz de trazer o drama necessário ao qual a trama se propõe.

Elementos de narrativa não são trabalhados da maneira certa, como o próprio embate entre idealismo e velhos costumes, presentes no personagem e que dariam um filme por si só. Mas Dan Gilroy (O abutre), que escreveu e dirigiu filme, queria mais. E esse mais é que, a meu ver, diminui o filme. Talvez, quisesse mostrar o que a incoerência de seus princípios pode levar um homem a sofrer, mas isso também vai pro campo das suposições e não fica claro na produção. A interação entre os personagens também não se fundamenta em solo concreto, mesmo com uma atuação excelente de Colin Farrell e Carmen Ejogo.

Parece que o filme quer forçar um tom emocional que poderia estar lá, mas que não fica claro. Mesmo a referência a Bayard Rustin e a outros ícones do movimento pelos Direitos Civis americanos se perde em um turbilhão de coisas que não perdoa nem o mote principal do filme, que é um processo movido por Roman contra ele mesmo, lançado no início do filme e retomado sem pretensão alguma quase em seus momentos finais. Ponto 100% vai para a trilha sonora, com o Funkadelic, Marvin Gaye, Bill Evans Trio e outras pedreiras na playlist.

Nota: 

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