Análise | A Bela e a Fera

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Os live-actions dos clássicos da Disney são produzidos com o intuito de perpassar a história para as novas gerações e fomentar o amor daqueles que cresceram assistindo ao desenho. Essa é a proposta na qual se embasa, também, A Bela e a Fera, narrativa pautada na princesa que marcou a infância de inúmeras pessoas na década de noventa. Para isso, a Disney reuniu um elenco de peso para interpretar os personagens principais e emprestar a voz aos objetos enfeitiçados.

O filme estrelado pela brilhante Emma Watson (Bela) e Dan Stevens (Fera), tendo como antagonistas Luke Evans (Gaston) e Josh Gad (Lefou), almejou a representação mais fidedigna possível do desenho original, mantendo as músicas inesquecíveis e as problemáticas principais. Ao retratar a Bela em sua essência – a princesa devota aos livros, ao aprendizado e que se nega a se submeter às vontades do macho alfa galanteador, não vendo o casamento ou a união como meta principal da vida, Emma Watson apresenta às gerações atuais a sede por conhecimento, a autonomia e o desraigar de costumes geralmente correlacionados com princesas indefesas.

A direção de Bill Condon, todavia, deixa a desejar em alguns momentos, trazendo pouca inovação e se debruçando nos traços principais do desenho. Tal elemento é responsável por arrebatar o coração daqueles que cresceram apaixonados pela história, mas, dependendo da visão, não necessariamente alcança a plenitude quando se vê o filme pelo prisma individual. Os efeitos visuais, por outro lado, são controversos: há quem diga que sua exacerbação traz um tom efusivo desnecessário, enquanto outros defendem a sua presença para deixar o telespectador envolto pela magia da narrativa.

O que talvez deixe a desejar de forma mais óbvia é a inexistência de exploração mais sólida do elenco que dá vida aos objetos mágicos. Nomes como Ewan McGregor, Ian McKellen, Emma Thompson, Audra McDonald e Kevin Kline são mal aproveitados e reduzidos a um secundarismo incongruente com a importância que os permeia no desenho original.

Os inúmeros pontos positivos do filme, por sua vez, renderam duas indicações ao Oscar: de Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte. As vestimentas e as canções, entoadas através de um clima com traços acertadamente teatrais, criam um cenário convincente para embasar a época e circunstâncias onde a história se passa.

A Bela e a Fera é um filme que encanta com boas atuações, efeitos visuais grandiosos e a manutenção de elementos clássicos que aquecem o coração dos fãs antigos, além de trazer uma experiência fascinante àqueles que são apresentados ao conto por seu intermédio. É necessário reproduzir para as crianças de hoje histórias de princesas com personalidade forte e controle da própria vida, que não necessariamente precisa ser salva, resgatada ou frágil. Com um Gaston caricato e nostálgico, uma Bela forte e expressiva e uma Fera conflituosa, se entregando aos poucos ao amor que não se acha digno de receber, o live-action entrega uma trama agradável e envolvente, com uma pitada deliciosa de fan service especialmente para aqueles que ainda carregam a magia dos contos de fada em seus corações.

 

Nota: 

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