Análise | Pantera Negra

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Criado por Stan Lee e Jack Kirby na década de 60, o Pantera Negra foi um marco dos quadrinhos por ser o primeiro super-herói negro. Rico, culto, exímio lutador e governante da nação mais tecnologicamente avançada do mundo, T’challa se tornou um dos mais queridos personagens da Marvel.

Prestes a entregar o seu mais ambicioso projeto, Vingadores: Guerra Infinita, a Marvel resolveu expandir toda a mitologia de Wakanda e seu povo em Pantera Negra, longa que estreia hoje. Já tivemos uma preciosa amostra do herói em Capitão América: Guerra Civil, mas dessa vez temos a oportunidade de conhecer o seu reino, costumes e ideais com mais profundidade, num longa antenado com vários temas socialmente atuais.

Se passando logo após Guerra Civil, a história coloca o protagonista numa situação delicada: com a recente morte de seu pai, T’challa se vê obrigado a assumir o trono de Wakanda e o manto de Pantera Negra, enquanto avalia se deve compartilhar os conhecimentos tecnológicos de sua nação com o resto do mundo. Rica em Vibranium, metal mais resistente de todos e fonte de toda a tecnologia, Wakanda se esconde de outros países, temendo uma violenta colonização.Eis que surge o misterioso e perigoso guerreiro Erik Killmonger, com um segredo envolvendo a realeza e gerando um embate físico e ideológico com T’challa.

Killmonger e T’challa possuem planos diferentes para o futuro de Wakanda

A direção fica por conta do talentosíssimo Ryan Coogler, dos ótimos Fruitvale Station e Creed, que possui boa narrativa visual, com planos-sequência de tirar o fôlego (algo já realizado em Creed), como na porradaria num cassino, além do ser um roteirista de primeira. Além de Coogler, Pantera Negra possui uma boa equipe formada por artistas negros, o que ajuda o filme a possuir uma identidade precisa. Seja na trilha sonora, figurino excelente ou nas tradições, o longa abraça a cultura africana com fervor, além de fazer Wakanda um lugar crível, algo que o estúdio não conseguiu fazer com Asgard em três filmes do Thor, tamanha a riqueza visual e detalhista que o reino recebe. O cineasta encontra espaço para conversar com o público sobre temas atuais, como guerra e representatividade, seja de raça ou de gênero. Sim, as crianças vão sair dos cinemas acreditando e se identificando com o herói negro e as mulheres ganharão as personagens mais bad ass dos últimos anos.

Chadwick Boseman demonstra segurança e carisma em todas suas cenas, além de mandar bem em cenas de ação, fazendo qualquer fã de quadrinhos aceitar que ele é o Pantera Negra perfeito (algo que, na verdade, já estava decidido em Guerra Civil). Mas é no elenco feminino que o longa cativa: Danai Gurira (a Michonne de The Walking Dead), como Okoye, líder da guarda imperial, alterna entre o lado cômico e mortal com perfeição; a oscarizada Lupita Nyong’o interpreta a espiã aliada Nakia, patriota completamente altruísta e interesse romântico de T’challa, com paixão; e temos a divertida e inteligente Shuri de Letitia Wright, donas das melhores tiradas do longa e responsável por criar os apetrechos tecnológicos usados pelo protagonista, seu irmão. Mal vejo a hora de ver o encontro dela com o sarcástico Tony Stark em Guerra Infinita.

O elenco feminino de Pantera Negra é um grande acerto

A Marvel vem de uma sucessão de bons vilões apresentados em seus filmes, algo bem criticado em produções anteriores. Após Ego e o Abutre, ganhamos o vilão mais humano e simpatizante de todos. O Killmonger do sempre ótimo Michael B. Jordan (em sua terceira colaboração com Coogler) poder ser o antagonista, mas compreendemos seus motivos e ideais e podemos até concordar com seus pensamentos, mesmo que sua abordagem vá na contramão. Suas cenas ao lado de Boseman rendem boas batalhas além de um dos momentos mais tocantes de todos os filmes da Marvel, capaz de deixar o espectador pensativo e emocionado por alguns instantes. Também somos agraciados com o retorno de Andy Serkis como o amalucado contrabandista Garra Sônica, que já tinha dado as caras em Vingadores: Era de Ultron, além da presenças de atores de peso como Angela Basset, Martin Freeman, Forest Whitaker e Daniel Kaluuya, todos tirando proveito do tempo e talento concedido a eles. Por essa dedicação ao roteiro e personagens, Pantera Negra ganha pontos por se afastar da fórmula Marvel, com vilões fracos, excesso de piadas e explicações. Claro que ainda temos momentos cômicos, mas todos são pontuais e funcionais, diferente de Doutor Estranho e Guardiões da Galáxia vol.2.

Pantera Negra é o filme certo na hora certa: um descanso para fãs de filmes de heróis, saturados de consumir o mesmo produto, e um canal de comunicação com um público que precisa se identificar com o mundo ao seu redor e enxergar as desigualdades sociais. Mais um grande acerto da Marvel, talvez o seu melhor e mais belo filme, deixando o público ansioso pelo retorno do Pantera Negra ou por outra chance de contemplar a cativante Wakanda. Vida longa ao rei!

Nota: 

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