Análise| Victoria e Abdul

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Certos filmes possuem um jeito único de nos contar uma história cheia de horrores com leveza e arte. Assim foi em A vida é bela (1997) e, antes, em Bom dia, Vietnã (1987). Agora, temos o choque cultural de Victoria e Abdul, retratando o relacionamento entre a rainha da Inglaterra e um indiano comum vivendo sob o domínio inglês em sue país. Entretanto, a leveza e a arte não está no retrato da desigualdade entre império e “subcontitente”, como era chamado a Índia pelos colonizadores ingleses, mas no círculo de preconceito e crueldade humana dentro da corte, capaz de cometer o ato atroz de apagar uma linda e incomum amizade por mais de um século dos resgistros da história.

A Victoria e o Abdul da vida real e os do filme. A montagem do figurino justifica a indicação ao Oscar.

O filme dirigido por Stephen Frears trata belíssimamente, tal é que justifica suas duas indicações ao Oscar – nas categorias de Melhor maquiagem e penteados e Melhor figurino, de como o preconceito contra uma cultura se mostra em suas piores faces e parte a superficialidade igual um barbante, pela simples presença de um ser considerado inferior nos aposentos pessoais da rainha, ou de que esse ser considerado inferior conseguiu tirar honestidade e alegria tratando a pessoa mais importante da Europa na época com o respeito não de um servo, mas de um amigo.

Frears consegue realmente uma montagem de cenário e mescla de cores que contrastam bem as duas realidades, mas consegue também mostrar o aspecto feio da nobreza inglesa, insossa como a primeira cena do banquete, amarga como as cenas de canto, e vingativa, como nos momentos finais do filme. Aliado a isso, temos a atução de Judi Dench, que consegue trazer aspereza, fragilidade, até uma alegria infantil de sentir-se viva após tantos anos imersa em solidão com pessoas que não a conheciam. O indiano Ali Fazal, mesmo tímido pela presença gigante de Dench, consegue mostrar um homem que via além da dominação e da política de tudo aquilo, um homem que permanecia como protagonista de sua história.

O filme mereceria uma indicação por Drama ao Oscar, e por Melhor Montagem, pois a composição das cenas é rica e dinâmica.

Mais uma vez, elogios ao diretor, que já tinha conseguido em Ligações Perigosas, lá nos idos de 1988, mostrar a impureza humana com sutil sentimento.

 

Nota:

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