Shadow of the Colossus | O Gigante acordou, mas agora é de verdade.

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Os primeiros passos na Terra Proibida em Shadow of the Colossus já têm como apresentação o seu visual belíssimo e refeito para a nova geração de consoles. A Bluepoint games já era conhecida por fazer clássicos ressuscitar, mas parece que dessa vez se superaram. Shadow of the Colossus, criado por Fumito Ueda, é o mais belo remake que já vi. O visual do game original não sobreviveu ao teste do tempo como outros jogos e um remake foi a forma ideal para trazer de volta essa obra prima do Playstation 2. O mesmo não se pode dizer do conceito do jogo e os demais elementos, tal como a história, que ainda é encantadora e consegue atingir o ineditismo de ser o único jogo open world onde um mundo “vazio” não é exatamente um defeito em um game do gênero, mas uma de suas grandes qualidades. Erga sua espada e siga a luz que vai te guiar para uma das maiores aventuras do ano.

Você é Wander, um solitário aventureiro que leva o corpo de uma donzela para um templo em terras distantes em cima da sua égua, Agro. Aliás, fazia tempo que não gostava tanto de um animal companheira como a Agro. Nesse templo, uma voz ecoa do alto designando Wander para uma missão em troca da ressurreição da vida da jovem que parece muito importante para o aventureiro. O objetivo é eliminar todos os Colossi (Colossos em Latim) que vagam na terra proibida parra que ele possa trocar favores com essa entidade misteriosa. O jogo não explica muito até o seu desfecho, contando com pouco voice acting, e Wander é tão calado quanto Link em The Legend of Zelda, mas surpresas aguardam no desenrolar dessa aventura.

Como já dito, esse mundo vasto da terra proibida é um lugar que causa a ilusão, um quimerismo de que estamos sozinhos vagando nessa terra. A pacífica atmosfera dá uma sensação que perigo algum se esconde atrás das montanhas, lagos e desertos desse mundo.  É possível interagir com o ambiente, colhendo frutas das arvores, caçando alguns animais silvestres inofensivos e encontrando alguns colecionáveis. Cavalgar no silencio da natureza na sua montaria em direção aos Colossi faz parte da poeticidade do game, tem sua história contada no invólucro de uma beleza dividida em batalhas que mais parecem estrofes de um poema de Camões. Houve momentos que me senti o próprio Vasco da Gama na epopéia de Os Lusíadas.  A forma como se revela os Colossi no campo de batalha é tão épica que só não supera a própria batalha em si, que dá início a trilha sonora do gênio Ko Otani, que está totalmente orquestrada e oferece o ambiente ideal para as batalhas.

As lutas contra os Colossi não são difíceis e a estratégia para derrotá-los mesmo nas maiores dificuldades do jogo é basicamente a mesma. Sim, você deve morrer no jogo, mas nada que o torne frustrante ou muito desafiador. Há momentos que é necessário pular e escalar locais até os chegar aos Colossi, sendo no geral uma viagem bem rápida de um para o outro. Nos combates, é necessário encontrar os locais (fraquezas) para cravar sua espada e fazer o Colosso “sangrar sombra”. Na falta de calabouços, a maior parte dos gigantes Colossi já apresentam um puzzle de como revelar as fraquezas e iniciar o processo de abate dessas criaturas magníficas. Pela primeira vez eu senti pena em matar esses chefões majestosos, principalmente porque alguns Colossi parecem apenas vagar sem apresentar agressividade, com algumas exceções.  A morte dos Colossi e o clímax final do jogo é um dos melhores momentos já vistos no mundo dos games, e apesar de apenas ter demorado 7 horas para terminar o jogo, foi uma das experiências mais memoráveis que já tive.

É difícil acreditar que um jogo com 13 anos de vida consiga retornar não só como um dos mais belos jogos já vistos no Playstation 4, mas também como uma dos melhores jogos de aventura de todos os tempos.  Curto como um poema e emocionante do início ao fim.

Nota: 

One thought on “Shadow of the Colossus | O Gigante acordou, mas agora é de verdade.

  • 23 de February de 2018 at 19:26
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    Pra mim um dos melhores jogos de todos os tempos!

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