Análise | Medo Profundo

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Depois do suspense Tubarão se tornar um sucesso de público e crítica (ganhando o título de primeiro blockbuster) em 1975, o animal passou a ser visto em outros filmes, continuações (péssimas, vale ressaltar) ou plágios descarados (alguém lembra do sangrento filme italiano que passava na Sessão da Tarde, O Último Tubarão?) com bastante frequência. Do Fundo do Mar, Mar Aberto, o desconhecido Isca e o recente Águas Rasas são algumas poucas produções que fizeram bom uso do predador enquanto, na contramão, pérolas como O Ataque do Tubarão de 5 Cabeças, Avalanche de Tubarões e Tubarão Fantasma tratavam de de “afundá-lo” cada vez mais em produções trash (embora eu tenha me divertido com Sharknado). Comandado por Johannes Roberts, Medo Profundo faz parte do primeiro grupo, felizmente.

O longa é um eficiente e claustrofóbico suspense envolvendo duas irmãs de férias no México. Lisa (Mandy Moore, de Um Amor para Recordar) é a irmã certinha e tentando superar o fim de seu namoro. Kate (Claire Holt) é a mais festeira e empolgada que decide que mergulhar numa gaiola com tubarões brancos será uma experiência incrível. Chegando no barco do capitão Taylor (o veterano Matthew Modine, do clássico Nascido para Matar), notam que nada ali tem estrutura, nem o barco e nem a gaiola, mas mesmo assim decidem ir em frente. Só que o pior acontece: o cabo que puxa a gaiola se rompe e as duas irmãs se veem largadas a 47 metros de profundidade e com o oxigênio se esvaindo. Isso sem falar alguns tubarões enormes ao redor.

As duas protagonistas aproveitam o mar antes dele se tornar o local da angústia delas

Com duração curta, o suspense apresenta um início completamente descartável apresentando o drama de Lisa e o relacionamento das irmãs. Não há identificação ou carisma suficiente ali para cativar o espectador. O filme só decola quando o primeiro tubarão aparece e a tensão se instala. As atrizes, a partir daí, passam a entregar angustiantes atuações, exatamente como o momento exige: A pressão, o esgotamento de oxigênio e, principalmente, os tubarões conseguem prender a atenção e fôlego do público e alimentam a curiosidade de todos em saber como a situação se resolverá. E falando no final, podemos parabenizar o diretor e roteirista pela ousadia e pelo inesperado, ainda que, com certeza, ira dividir opiniões.

As irmãs precisam lutar contra o tempo e tubarões gigantes

Além do fraco começo, Medo Profundo opta por tratar o público como bobo, com diálogos porcamente explicativos. Em vários momentos as protagonistas falam em voz alta o óbvio ou repetem, exaustivamente, que o tanque de ar está ficando vazio. Mas dá pra relevar, uma vez que o tratamento dado aos tubarões é muito bom e gera ótimos sustos. E olha que o orçamento foi de US$ 5,5 milhões.

Provavelmente veremos mais produções envolvendo os maiores predadores dos mares nas telas, mesmo que a maioria possua a mais bizarra premissa (Sharknado 6 trará viagem no tempo e dinossauros). A continuação de Medo Profundo já foi encomendada devido ao sucesso deste (US$ 44 milhões só nos EUA) e deve se passar no Brasil (embora seja difícil usar tubarões brancos). Se a qualidade for igualável ao primeiro e não às continuações do clássico de Spielberg, saímos ganhando.

Nota:

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