Análise | 12 Heróis

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Em setembro de 2001, o mundo se viu diante do maior atentado terrorista da história da humanidade. Nos EUA, quatro aviões sequestrados foram responsáveis por ceifar a vidas de milhares de pessoas e mudar todo o cenário político mundial, deixando cicatrizes que ainda não se fecharam. A sétima arte também teve que se adaptar ao período, com produções delicadas como Reine Sobre Mim, As Torres Gêmeas, Voo United 93, e algumas focadas na luta contra o terrorismo em filmes como Guerra ao Terror, A Hora mais Escura e Sniper Americano. Apesar de gostar de todos, particularmente eu me entusiasmei com os filmes do primeiro grupo. O motivo (responsáveis for fazer muita gente me criticar): não gosto muito de filmes de guerra. Pronto, falei. Me julguem, mas não consigo terminar Até o Último Homem e to adiando Dunkirk, apesar de achar que sejam bons filmes.

Claro que adoro obras como O Resgate do Soldado Ryan e Falcão Negro em Perigo (entre outros), mas filmes bélicos me parecem saturados e repetitivos, de modo que não consigo me empolgar ou me esforçar para assistir algum. Ainda mais um longa sobre soldados americanos combatendo o Talibã no Afeganistão após o atentado. 12 Hérois, novo longa do ator Cris Hemsworth, ao contrário do que eu esperava, é surpreendentemente bom!

A história é real e, há pouco tempo, secreta. Impactados pelo ataque relâmpago de Bin Laden, os EUA decidem investir contra o grupo terrorista Talibã no Afeganistão, país o qual governava desde 1996. Os militares enviam um grupo de 12 experientes soldados para desestabilizar o movimento fundamentalista, apesar da imensa preocupação dos superiores em colocar o capitão Mitch Nelson (Cris Hemsworth) no comando da missão. Nelson trabalhava em um escritório militar e nunca pôs os pés num campo de batalha, mas seus 11 soldados confiavam em sua liderança e treinamento. Em terreno afegão, a equipe precisará contar com o apoio do sábio General Dostum (Navid Negahban), que também luta em uma guerra civil e cede cavalos para que a equipe realize sua missão o mais rápido possível.

Cris Hemsworth lidera 11 homens num combate contra o Talibã

As interações dos personagens são um grande acerto, principalmente nas cenas e diálogos de Nelson e Dostum. A filosofia do devoto general, seus ensinamentos e os conflitos verbais com o americano ganham intensidade devido ao imenso trabalhos de seus interpretes. A pressão de Nelson em vingar seu país e voltar para sua família e a dureza e sofrimento de Dostum são bem repassados ao público graças às ótimas atuações de Hemsworth e Negahban.

O elenco de apoio também conta com grandes atores da atualidade, como Michael Peña (Homem- Formiga) interpretando o mesmo papel de sempre, o que não é ruim, e do sempre ótimo e cada vez mais presente em diversas produções Michael Shannon (injustiçadamente ignorado no Oscar desse ano por A Forma da Água).

Os diálogos entre o General Dostum e o Capitão Nelson rendem ótimas cenas

Foi nas cenas de ação que 12 Heróis me cativou de jeito. Tensas, brutais e com muitos efeitos práticos, todas são eficientes, principalmente o conflito final. O mérito pode ser atribuído ao excelente trabalho de som e edição, mas impossível não mencionar a trilha sonora de Lorne Balfe, que cria bons momentos onde o nervosismo se eleva, mas que também falha em momentos mais dramáticos onde soa forçada, deixando o filme patrioticamente forçado e piegas. Mesmo assim, a produção é um grande espetáculo e surpreende pelo fato de ser dirigido pelo novato Nicolai Fuglsig.

12 Hérois não apenas prova que eu devo reavaliar meus conceitos como também que as feridas do 11 de setembro de 2001 ainda podem (e vão) render bons filmes. Mesmo não acrescentando nada ao gênero, consegue entreter por duas horas, gerar boas reflexões e apresentar excelentes cenas de ação, fazendo dele a mais grata surpresa do ano até agora. Acho que vou terminar Até o Último Homem agora.

Nota:

 

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