A versatilidade de um autor e a importância de um roteirista saber escrever sobre qualquer tema

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Por que é importante que um roteirista saiba escrever a respeito de qualquer tema?

Ter uma característica proeminente ou uma assinatura própria em seu trabalho é uma das coisas mais desejáveis que um artista pode possuir. Isto serve como um cartão de visitas do mesmo e permite que ele se destaque mesmo quando ainda não sabemos que ele é o autor de uma determinada obra. Porém, não devemos confundir uma marca pessoal ou um estilo com a inabilidade para fazer algo diferente.

Os cineastas Alfred Hithcock, Brian de Palma e Steven Spielberg são exemplos deste tipo artistas que possuem uma assinatura própria que se destaca quando assistimos aos seus filmes. Da mesma forma, podemos citar roteiristas de histórias em quadrinhos como Alan Moore, Neil Gaiman, Garth Ennis e Mark Millar.

A versatilidade de Alan Moore.

Nenhum destes autores, entretanto, ficou estagnado produzindo um único tipo de trabalho. Alfred Hithcock, conhecido como o “mestre do suspense”, incluiu em sua filmografia comédias românticas como “Sr. e Sra. Smith, um casal do barulho” (1941); Brian de Palma passou pelo gênero blockbuster de aventura com o primeiro “Missão Impossível” de Tom Cruise (1996); e Steven Spielberg praticamente iniciou sua carreira com “Tubarão” (1975), um thiller assustador.

Da mesma forma que estes famosos cineastas, os roteiristas de quadrinhos aqui citados percorreram vários caminhos e escreveram vários estilos de hqs sem ficarem presos a um só: de terror a ficção, de super-heróis a tramas policiais, de humor a dramas.

Embora seja confortável evoluir dentro de um mesmo estilo ou escrever apenas para seus próprios personagens ou séries, o verdadeiro artista precisa sair de sua zona de conforto para não estagnar a sua arte, seu estilo e seu potencial.

No caminho para identificar a sua própria voz, um artista deve ousar, deve experimentar, deve percorrer estradas desconhecidas. Somente dessa forma ele vai conseguir definir melhor o seu estilo e entender que seu ofício não é fazer variações sobre um mesmo tema, mas descobrir novas perspectivas acerca de diversos assuntos.

A versatilidade de Alan Moore é tanta que até quadrinhos eróticos ele já escreveu. Do jeito dele, é claro.

Por esta razão, eu recomendo a você, roteirista de quadrinhos, que está iniciando sua jornada ou que já se firmou trabalhando apenas sobre o mesmo tema (terror, super-heróis, humor, etc.) ou sobre a mesma série/personagem, que tente fazer um destes dois exercícios: tente escrever uma história sobre um tema que você normalmente não pratica ou tente escrever uma história de uma série/personagem que não sejam seus (Com a devida autorização do dono, é claro!).

Embora aparentemente simples, é um exercício poderoso. Tirando-o de sua zona de conforto, você vai poder se deparar com críticas verdadeiras a respeito da evolução de seu trabalho, vai lhe ensinar macetes narrativos diversos, vai lhe conceder um boa dose de humildade, vai amansar o seu ego e vai lhe proporcionar uma das mais dolorosas, porém importantes, lições que existem: aprender com os próprios erros.

Não existe esta história de a pessoa acertar sempre. Se você está acertando sempre, isto pode significar que o seu círculo de amizades está muito restrito ou muito indulgente. E é preciso escutar as críticas e saber digerí-las. Embora nossa primeira reação seja a de defesa e autopreservação, o verdadeiro artista precisa deixar estas críticas maturarem e avaliar o que ele concorda ou discorda da apreciação feita. Se concorda, ele tem uma oportunidade única de corrigir uma inconformidade em seu trabalho. Se discorda, jamais deve rebater as análises negativas (Sim, eu sei o quanto isto é difícil!): deve agradecer a pessoa que fez as observações, ignorar esta opinião e seguir adiante.

Por fim, o verdadeiro artista, deve estar sempre tentando superar a sua própria obra. Ele deve estar sempre à procura de fazer algo melhor (ou diferente) em relação a tudo o que fez anteriormente. Escrever, atuar, dirigir, pintar, esculpir, compor, cantar ou qualquer outra atividade artística não deve nunca ser uma repetição sem fim, um lugar comum, uma atividade tediosa (nenhum trabalho deveria ser). Ela deve ser uma coisa única, singular, vibrante. Algo que vale a pena ser feito e que vá mudar a vida e a percepção de quem está vendo aquele trabalho artístico.

Portanto, se você é um artista e não está empregando todo seu potencial para melhorar a sua obra e as pessoas ao seu redor, você deveria reconsiderar seriamente em fazê-lo. Somente assim você poderá se desenvolver e se redescobrir constantemente fazendo de você e sua arte uma coisa que vale a pena ser conhecida.

E não se esqueça: Quadrinhos não é só desenho!

2 thoughts on “A versatilidade de um autor e a importância de um roteirista saber escrever sobre qualquer tema

  • 20 de March de 2018 at 11:39
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    Texto esclarecedor. Artistas e autores podem deixar suas marcas pessoais em suas obras, mas sem várias repetições das mesmas.❤

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  • 20 de March de 2018 at 14:53
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    Belo texto. Me deu mais vontade de quadrinizar meus roteiros que não são de humor.

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