Análise | Capitão América: O Primeiro Vingador

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Após a produção de filmes de herói com uma boa resposta do público, a Marvel estava pronta para dar continuidade à expansão de seu universo cinematográfico e galgar êxitos ainda maiores. Sua cartada final ao iniciar o findar da primeira fase e o último filme solo antes dos Vingadores só poderia ser com o líder Capitão América, o primeiro herói patriota dos Estados Unidos. Com direção de Joe Johnston e um elenco extremamente expressivo, composto por Chris Evans, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Hugo Weaving e Tommy Lee Jones, as previsões eram positivas e a expectativa era grande.

No início do filme, somos ambientados ao contexto histórico da 2ª guerra mundial, onde o recrutamento intenso de soldados incutia na cabeça dos jovens um anseio imenso de servir ao seu país. A vontade da maioria, no entanto, não se compara a de Steve Rogers, rapaz franzino, asmático e com poucos atributos físicos, mas com uma determinação admirável e altruísta na persecução de meios para lutar na guerra.

Após as inúmeras tentativas frustradas de se alistar, Rogers se submete a um programa que escolheria, entre jovens brilhantes, aquele que reunisse as qualidades necessárias para se tornar o super soldado americano, através de um soro criado pelo Dr. Abraham Erskine (que acreditou, desde o início, que o rapaz mais magro, baixo, cansado e fisicamente despreparado entre os outros soldados deveria ser o escolhido).

Desde o início, quando se procurava aquele que se tornaria o super soldado, a maioria das pessoas procurava por atributos físicos. A visão limitada fez com que muitos não enxergassem além: a valentia e a coragem não são medidas necessariamente pela força. Quando Steve Rogers se joga em cima de uma granada para proteger os demais, fica claro quem tem as qualidades necessárias para tomar a frente do exército americano. O homem fraco sabe o valor da força e da compaixão.

Paralela a sua apresentação, se introduz também a Agente Peggy Carter, mulher forte que tem que enfrentar as dificuldades de ser uma mulher num ambiente predominantemente masculino, lidando com o machismo e a incapacidade dos homens de verem uma mulher ocupando uma posição de poder, superior a eles. Não nos é entregue, portanto, a moça vulnerável e alheia às capacidades do super-herói. Peggy é uma mulher altamente preparada e profissional, que dá um soco num soldado insolente logo em sua primeira cena.

Depois de se submeter ao experimento, o filme mostra que os primeiros passos de Rogers como o Capitão América não foi como o soldado que tanto almejava se tornar, tomando a frente nos campos de batalha. Fora reduzido a um simples slogan publicitário, ao reforço dos ideais nacionalistas e patriotas que fomentavam o sonho americano e a ideia dos Estados Unidos sempre à frente, levando orgulho para seus cidadãos. Deixava claro, portanto, um traço que se sobrepunha na cultura americana: a necessidade mais latente de uma imagem vendível do que de soluções concretas. O plano comercial é vendido com êxito, até que o Capitão América não se limita mais aos telespectadores americanos e reproduz os slogans criados para aqueles que sabem bem os horrores das guerras: os próprios soldados.

O despertar do Capitão América para suas verdadeiras responsabilidades e o alcance de suas capacidades só se dá quando recebe a notícia de que seu amigo de infância, James Buchanan Barnes, pode ter sido capturado ou morrido nas mãos dos alemães. Com a ajuda de Howard Stark (o pai do homem de ferro) e Peggy Carter, consegue ir para o campo onde a Hidra está com os prisioneiros e inicia uma busca por seu amigo, extravasando, finalmente, a vontade de tomar medidas que de fato façam a diferença na guerra. Fica claro que o Capitão América não é um grandalhão inconsequente, mas um homem que por não poder, por muito tempo, explorar suas capacidades físicas, focou na estratégia e nos atributos mentais.

É interessante destacar que o filme já trouxe referências ao vibranium, vindo diretamente de Wakanda. Stark afirma que o material do escudo do Capitão é capaz de absorver totalmente as vibrações e é o metal mais raro da terra, numa conexão com o universo de Pantera Negra.

Se comparado com uma maior complexidade de roteiro que se tenta atingir no universo Marvel atualmente, Capitão América possui soluções clichês e cenas de ação previsíveis. No entanto, é o filme que inicia o findar da primeira fase e prepara o terreno para os Vingadores, trazendo um marco importantíssimo para as produções cinematográficas da Marvel.

Seu romance com Peggy Carter e sua lealdade ao amigo Bucky são construídos de forma sólida e em paralelo ao crescimento do personagem. Steve não se apaixona por uma donzela indefesa, mas por uma agente independente e com uma força maior do que a da maioria. Com a roupagem de herói essencialmente bondoso, com valores que se sobrepujam à força física e uma convincente história que traz o embasamento para todos os seus atos altruístas, Capitão América é um dos principais rostos da franquia. E a importância de seu primeiro filme solo, sem dúvidas, também.

Nota:

Trailer:

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