Análise | Thor: O Mundo Sombrio

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Após impedir que seu irmão Loki dominasse a Terra por meio de uma invasão alienígena, o deus do trovão, Thor, precisa retornar ao seu lar. Mas seu tempo de paz é curto, uma vez que o maligno elfo negro, Malekith, e seu exército ressurgem depois de eras para tentar encontrar e dominar o Éter, uma fonte de poder sem limites, e trazer um reinado de escuridão a todos os reinos. A situação se complica quando a humana Jane Foster é envolvida e afetada pelo Éter, levando Thor a tomar medidas drásticas, como aliar-se ao seu irmão.

Encerrada a fase 1 com o estrondoso sucesso de Os Vingadores e ainda contabilizando o retorno bilionário de Homem de Ferro 3, a Marvel Studios conseguiu se firmar como uma produtora lucrativa que proporcionava bom entretenimento. Em 2013, mesmo ano em que a terceira aventura solo de Tony Stark estreou, tivemos a primeira continuação do asgardiano Thor e, como era de se esperar, tudo se apresentou em escala maior.

Entitulada Thor: O Mundo Sombrio, a sequência também trazia várias mudanças, tanto no tom quanto no comando. Saia o shakespeariano Kenneth Branagh, que, eficientemente, dara o toque dramático e trágico que o personagem criado por Stan Lee e Jack Kirby exigia, entrando Alan Taylor, cineasta oriundo da TV, onde dirigiu episódios grandiosos da série Game of Thrones. E por possuir experiência em cenas de batalha, Taylor entregou ótimas sequências de ação, como a invasão dos elfos negros à Asgard e a luta de Thor e Loki contra o gigante Kurse e alguns elfos.

O longa, entretanto, perde-se em momentos banais e até desnecessários, como a recapitulação de Odin para Thor sobre as batalhas contra os elfos negros, algo narrado ao espectador nos créditos iniciais. Também é prejudicado pelo excesso de piadas, item presente em praticamente todos os longas do estúdio, mas que aqui arranca risadas esporádicas. Pode parecer implicância da minha parte, mas essa insistência em encaixar humor em demasia, onde as vezes é descartável, pode impedir um filme de alcançar um resultado melhor (basta aprender com The Dark Knight ), exatamente como ocorreu em Thor: O Mundo Sombrio. O filme, porém, ganha pontos por abdicar de querer ser uma produção que sirva de base para algo maior dentro no Universo Marvel ou para o próximo filme dos vingadores, ressalvando a importância do Éter no vindouro Vingadores: Guerra Infinita. Tudo aqui é focado em Thor e em seu mundo.

Por falar em mundo, temos a chance de conhecer melhor a bela Asgard, pouco explorada no longa de 2011, em toda sua imponência e detalhes, principalmente nos figurinos. O lugar também é agraciado com uma ótima fotografia (sem excessos de planos holandeses dessa vez) que, com uma trilha sonora linda, entrega um dos momentos mais lindos do Universo Marvel, o funeral de Freya (a veterana Rene Russo, melhor aproveitada dessa vez).

Cris Hemsworth está muito mais à vontade na pele do deus do trovão, com carisma e charme de sobra. Mas dessa vez sua química com Natalie Portman não engrena, o que pode ser creditado à má vontade da atriz, presa a uma contrato. Portman protestou na época pela demissão da diretora Patty Jenkins (que teve sua chance e entregou o excelente Mulher-Maravilha), originalmente a primeira escolha, e após o lançamento de Thor: O Mundo Sombrio, desligou-se do universo cinematográfico da Marvel. Engolindo cada cena em que aparece e esbanjando cinismo e desconfianca, Tom Hiddleston comprova de vez que seu Loki é o melhor vilão da Marvel no cinema. Com certeza muito melhor que o Malekith de Christopher Eccleston (um bom ator, diga-se de passagem), esse sim o vilão mais subaproveitado de todos os 18 filmes do estúdio, com uma motivação clichê e que, em nenhum momento, oferece perigo e tensão ao protagonista. Mas isso também é algo recorrente nos filmes da Marvel, que já chegou a declarar que seus filmes são sobre os heróis e que o desenvolvimento de seus vilões não é prioridade (sei…). E tivemos, claro, a personagem de Kat Dennings, mais sem graça e mais irritante.

Thor: O Mundo Sombrio foi melhor acolhido por críticos e público do que o seu antecessor, mesmo com divisões de opinião. É dos filmes mais divertidos do estúdio, só que, infelizmente, não passa de uma sessão descompromissada e esquecível. Algo que poderia ter sido épico se o estúdio não interferisse tanto ao ponto de obter declarações de desgosto de alguns dos envolvidos (Portman, Taylor e Eccleston). Pelo menos foi um aprendizado para que a Marvel pudesse dar a autonomia que um James Gunn ou Ryan Coogler precisassem.

Nota:

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