Análise | Homem de ferro 3

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Depois do longa que juntou os mais esperados heróis da Marvel Studios e consolidou a Disney como dona dos direitos de distribuição daqui pra frente, temos agora Homem de Ferro 3, filme que veio com expectativa alta e bilheteria expressiva, mas esse último fator nunca foi sinal de qualidade, né mesmo?

Confuso e visivelmente abalado com os acontecimentos de Vingadores, Tony Stark passa a viver para superar sua própria tecnologia e a pensar sem parar em planos para proteger pessoas de ameaças que ele mesmo sequer supunha existir, não fosse a recente experiência que sofreu. A trama se passa cronologicamente mais ou menos um ano após a destruição parcial de Nova York, e mesmo com tantos esforços para proteger os outros, Tony terá que provar estar apto pra proteger à si mesmo de uma ameaça terrorista que responde pelo nome de Mandarim.

Esse último parágrafo é basicamente a sinopse do filme, porém não descreve a totalidade do que realmente o foi. Após o atentado que deixou seu segurança e amigo Happy Hogan (Jon Favreau) hospitalizado, Tony publicamente declara guerra ao Mandarim, e a partir de então vive um inferno, tendo sua casa atacada e sendo privado de sua tecnologia. Stark então inicia uma jornada onde ele é caçado e tem que se reinventar como herói, perdido em uma parte distante numa cidade dos Estados Unidos. Ele encontra um menino que viria a ser sua companhia, um moleque inventivo que serve para o playboy Stark se ver e se reconectar com sua origem.

Com cenas empolgantes de ação, dignas do diretor Shane Black (Roteirista de Máquina Mortífera e Despertar de um pesadelo), com qualidade igualmente deslumbrante de efeitos visuais, o filme peca mais uma vez em ter uma ótima premissa, porém mal aproveitada, unida à junção de vilões com fracas motivações, o filme parece ter preguiça de se desenvolver melhor, deixando de aproveitar seu próprio potencial. Ameaças como a tecnologia Extremis, que parece não ter controle, sequer sinal de cura pra quem se torna portador, parece ter uma solução magicamente conveniente ao final do filme.

Sobre o Mandarim: A escolha arriscada na reviravolta do personagem de Ben Kingsley a meu ver foi bem vinda até certo ponto, isso se a revelação, além de despistar o foco no real vilão vivido pelo Guy Pearce, não cumprisse o raso papel de ter pano pra manga para mais uma piada na receita Marvel, que parece não ter sido encarada dessa forma pelos fãs mais ferrenhos.

Tenho minhas ressalvas com relação a outras soluções preguiçosas, como a cirurgia de retirada do núcleo magnético que o personagem do Robert Downey Jr. mantinha próximo a seu coração e o surgimento dos mais de 40 Mark’s (Armaduras-robô variantes do Homem de Ferro), que serviram como “ex maquina” providencial no desfecho da trama e nada mais eram do que uma clara motivação para vender novos bonecos licenciados do personagem. Aqui, um fato interessante é que várias produtoras de efeitos especiais foram contratadas para garantir a reprodução com qualidade dessas armaduras extras na tela; foi gasto mais neste filme em VFX do que em Vingadores: era de Ultron, por exemplo. Os personagens subutilizados, como o próprio James Rhodes/Máquina de Combate vivido pelo Don Cheadle, incomodam um pouco, mas esses elementos até poderiam ter seu espaço se o roteiro fosse mais balanceado. Como isso não aconteceu, Homem de Ferro 3 é um bom filme de ação, mas como em muitas trilogias, sofre o mesmo sintoma de ter um terceiro filme recheado de acontecimentos e personagens que não são bem divididos e desenvolvidos, marcando assim o fim do personagem em filmes solo.

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