Análise | Jogador N° 1

Análise | Jogador N° 1

31 de March de 2018 1 By Riodenis Campos
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Se você já fez amizades em jogos onlines (seja MMO ou outro) sabe a importância de alguns jogos na sua vida.  Eu fiz muitas amizades em jogos como Ragnarok, Perfect World, World of Warcraft, além de outros RPGs online que ainda têm um público fiel no Brasil. Não foram poucos os momentos de muita nostalgia e emoção que vivi assistindo Jogador N° 1. Mesmo que não tenha vivido essa experiência, não se exalte, esse filme é para todos, pois Jogador N°1 é uma verdadeira homenagem a cultura pop através de uma história onde a amizade e confiança de quem está atrás de um avatar criado em um mundo virtual pode mudar sua vida. Há inúmeras referências no filme, easter eggs , o filme retrata de uma forma poética em como o primeiro easter egg da história dos videogames foi importante para a era do entretenimento.   Durante o filme, os cinéfilos, gamers, otakus, ou seja lá como você se identifica na cultura geek, estão representados ali.

Jogador N°1 é uma verdadeira ode geek, e mesmo os mais desconfiados com o filme podem se surpreender com Steven Spielberg, que dirigiu uma película onde a diversão é garantida. É importante ressaltar a relevância de Spielberg no cinema, pois é um diretor que não tem vergonha de fazer filmes que marcam gerações desde os anos 80 com bastante ineditismo. O roteiro não é excepcional, não há um elenco super conhecido, tudo é simples, mas muito bem executado quando o assunto é roteiro. O ano é 2044, em um universo distópico,  um grupo de jovens liderado pelo jogador Wade (Tye Sheridan) e Samantha (Olivia Cook) lutam contra uma empresa gananciosa do mundo virtual liderada pelo vilão Sorrento (Ben Mendelson). Todos eles jogam um game online chamado OASIS, criado por James Halliday (Mark Rylance). Repleto de cenas de ação e efeitos especiais, Jogador N° 1 traz no seu pano de fundo tanta referência ao mundo geek que é impossível pegar todas as informações na primeira vez que assiste a película. Afinal, o filme foi baseado em um livro homônimo, do original: Ready Player One, escrito por Ernest Cline que está repleto dessas referências.

Apesar de conter tantos elementos de diferentes mundos, a verdadeira menção honrosa no filme são os games, que considero como o alicerce principal em Jogador N°1. É possível ver personagens como Master Chief, Ryu do Street Fighter, Goro do Mortal Kombat, Overwatch e muitos outros. Bom, mas o especial mesmo fica para o final do filme, que é uma grande homenagem ao primeiro console caseiro da história, o Atari 2600, e ao criador do jogo Adventure, Warren Robbinet, o mentor do primeiro easter egg da história dos games. Poucos sabem da importância de Adventure para a indústria dos games, mas digamos que sem ele seria impossível imaginar games como The Legend  of Zelda e Final Fantasy. Desenvolvedores como Shigeru Miyamoto (criador de Zelda e Mario) e Hironobu Sakaguchi (criador de Final Fantasy) já falaram sobre a importância desse game para suas vidas. A forma que é feita essa homenagem fica para quem for assistir, mas posso afirmar que foi a mais bela homenagem que vi a alguém que merecia estar nos holofotes da indústria dos games com mais freqüência por ter sido um dos maiores visionários dos games.

Por ser um jogo que usa a realidade virtual (VR), é impossível não mencionar a tendência que a indústria dos videogames tem tomado para jogos com uso dessa tecnologia. A Sony com seu Playstation VR, acessório como o Oculus Rift já nos colocam em um mundo imersivo. No limiar do desenvolvimento dessa tecnologia, não é difícil imaginar que um game como OASIS um dia seja possível, e a fuga completa da realidade que nos rodeia seja ainda mais chocante. Embora o filme fale sobre essa fuga, ele também aponta que as verdadeiras experiências humanas estão no mundo real, e é nele que realmente devemos focar e que a individualidade humana é mais importante que um avatar virtual de uma pessoa que gostaríamos ser.  Como o principal gênero dos games no filme é RPG online, piadas fazendo referência a “shemales” (jogadores homens que usam avatar de mulher), criação de grupos para realizar quests (objetivos no mundo online) e até mesmo críticas às empresas que exploram os jogadores no mundo virtual estão presentes.

Jogador N°1 superou as minhas expectativas, que não eram boas, pois a fusão de games e filmes nem sempre dão certo. Sabendo que esse filme seria uma confusão de referências, ele é muito mais que um fan service e a “confusão” geek empolga do início ao fim até o ponto de realmente se importar com o que vai acontecer com os personagens e essa trama incrível.

Nota: