Análise | Homem das Cavernas

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O britânico Nick Park é um dos mais aclamados diretores de animação, estando na ativa desde a década de 80. O que o destaca nesse cenário é seu talento e a perseverança em entregar animações em stop motion numa era em que quase todos os longas animados são gerados em computador. Pelo estúdio Aardman Animations, dirigiu, roteirizou e produziu muitos curta-metragens e longas cômicos, sendo premiado pela academia quatro vezes. Seus maiores sucessos foram os divertidíssimos A Fuga das Galinhas (2000) e Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais (2005), que lhe rendeu seu primeiro Oscar para um longa-metragem. Em suma, suas produções são sinônimas de qualidade e ansiedade pelos amantes do gênero.

Seu novo trabalho é O Homem das Cavernas, que em todas as tomadas exala dedicação e paixão pelo trabalho de animar. São notáveis os detalhes nos figurinos e nas feições dos personagens, que deixariam Ray Harryhausen orgulhoso. Por mais que os desenhos estejam mais próximos da perfeição (vide o recente Coco), as animações em stop motion conseguem manter seu charme.

Na trama, conhecemos o simpático e sonhador Dug (Eddie Redmayne no original e Marco Luque na versão nacional), um homem das cavernas que vive com sua pequena e imalucada tribo de caçadores de coelhos (animais sempre presentes nas produções de Park) em uma floresta isolada numa cratera. Sem nenhum conhecimento sobre o que há além do vale, Dug e seus amigos são surpreendidos por uma invasão de soldados blindados com bronze, interessados em extrair minérios do vale da turma. Levado para longe de casa, o protagonista descobre que o povo civilizado idolatra um jogo estranho para ele: o futebol. Desesperado, Dug propõe um trato ao ganancioso Lord Nooth (Tom Hiddleston, o Loki de Os Vingadores, com um hilário sotaque): se ele e seus amigos vencerem o habilidoso time inimigo num jogo, estarão livres. Senão, serão escravizados para sempre numa mina (que eles nem sabem o que significa).

Mais uma vez, os fofos personagens são o grande acerto do filme, cada um com uma personalidade engraçada e cativante. Além do carismático Dug e do engraçado Lord Nooth, temos a jovem Goona (Maisie “Arya Stark” Williams), uma exímia jogadora que auxilia a turma das cavernas e vê a oportunidade de mostrar seu talento no grande jogo, quebrando o preconceito contra a participação de mulheres no esporte. E temos o mascote Porcão (que tem seus grunhidos dublados pelo próprio Park), um porco que age como cão e é dono das melhores piadas e gags do longa, e, com certeza, será um xodó do público, assim como o outro cãozinho criado por Park, Gromit.

O roteiro promove boas sacadas com o choque de cultura dos personagens com um novo mundo e conversa com o público sobre temas que vão da força da mulher para quebrar paradigmas até o velho clichê de que, unidos, vencerão. Sem contar que, em ano de Copa do Mundo, uma animação sobre o esporte pode agradar a todos.

Ainda que demore um pouco para engrenar e se perca no fim do segundo ato com um plano bobo do vilão, O Homem das Cavernas é uma boa pedida para a criançada e um alívio para os pais pagantes, cansados de ver criaturinhas amarelas com vozes bizarras ou aventuras estreladas por emojis. Sem falar que contemplar uma técnica tão antiga na história do cinema de animação ser usada sem perder o charme e a qualidade é mais que um motivo para embarcar nessa nova empreitada da Aardman Animation. É pedir demais uma nova aventura de Wallace e Gromit ou A Fuga das Galinhas 2?

Nota:

One thought on “Análise | Homem das Cavernas

  • 12 de April de 2018 at 21:06
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    Uma gracinha. Super válido para crianças.

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