Análise | Homem-Formiga

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Em 2012, o arrasa-quarteirão Os Vingadores agradou os fãs de quadrinhos da Marvel, mostrando uma equipe de heróis que precisam deixar as diferenças de lado em prol da salvação do mundo. Só que a trama do filme dirigido por Joss Whedon era uma adaptação da aclamada Os Supremos, de Mark Millar e Bryan Hitch, e não do clássico quadrinho escrito por Stan Lee e desenhado por Jack Kirby na década de 60. A dupla dinâmica que revolucionou os quadrinhos apresentou um grupo formado por Hulk, Homem de Ferro, Thor, Vespa e seu companheiro, o Homem- Formiga. Capitão América, Viúva Negra e Gavião Arqueiro só dariam as caras algumas edições mais tarde. A ausência desses dois personagens em Os Vingadores pode ser atribuída ao apelo que os demais personagens tinham com o público, e como o Marvel Studios ainda estava dando seus primeiros passos e encontrando seu tom, um longa sobre um herói que encolhe e conversa com formigas parecia arriscado.

Mas o irônico é que uma longa sobre o Homem-Formiga já estava em produção há algum tempo, com o roteiro escrito pelo talentoso Edgar Wright (Chumbo Grosso e do recente Baby Driver: Em Ritmo de Fuga), porém surgiram divergências com o estúdio, que naquelas alturas, já havia encontrado uma fórmula a seguir. Sedendo o cargo de diretor a Peyton Reed (Separados pelo Casamento), Wright continuou como produtor e roteirista, ainda que seu texto tenha sofrido diversas mudanças. Especialista em comédias, Reed era uma boa aposta para o que o longa pedia. Isso porque Homem-Formiga é, descaradamente, um filme de comédia, abusando de piadas mais do que o comum nos filmes anteriores da Marvel. E o melhor: funciona muito bem!

Na trama, o ex-presidiário de bom coração Scott Lang recebe uma segunda chance ao ser contatado pelo cientista Hank Pym, criador de partículas capazes de minimizar qualquer objeto ou pessoa. Para impedir que seu antigo aliado, Darren Cross, se apodere das partículas para fins bélicos, Pym decide ensinar a Lang como manipular essas partículas e roubar a empresa de Cross. Surge o pequeno grande herói, o Homem-Formiga.

Depois de se aventurar no mundo da tecnologia, magia, espionagem e até no espaço, a Marvel agora entrega um divertido filme sobre um assalto e seu planejamento sem desrespeitar a mitologia do herói. Para surpresa dos fãs de longa data, a identidade do diminuto personagem é Scott Lang, a segunda encarnação do herói nos quadrinhos, e não Hank Pym, o original e mais conhecido. Pym, criador do robô Ultron nas HQs (diferente do que foi apresentado em Vingadores: Era de Ultron, em que esse cargo ficou com Tony Stark), foi preterido, já que seu passado é marcado por diversas polêmicas como violência doméstica e surtos psicóticos. Claro que tudo podia ser aliviado nos cinemas, mas Lang foi o escolhido e se mostrou um acerto, graças ao excelente trabalho do sempre carismático Paul Rudd (Ligeiramente Grávidos). O ator entrega um dos mais simpáticos personagens do UCM, rendendo ótimas cenas , tanto cômicas quanto emocionais, quando envolvem seu relacionamento com sua filha. E sua formiga, Anthony.

Rudd é amparado por um elenco eficaz, como Evangeline Lilly (Lost), Michael Peña (Crash), Bobby Cannavale (Chef) e o veterano oscarizado Michael Douglas, interpretando um Hank Pym simpático, mas traumatizado. Juntos, conseguem deixar um plot clichê (assalto planejado) bem divertido, mesmo que o que mais encante seja o treinamento de Lang, amparado por excelentes efeitos digitais. Homem-Formiga ainda conta com um dos melhores embates dos filmes de heróis, quando o protagonista enfrenta o vilão Cross (o pouco aproveitado Corey Stoll, de House of Cards), agora sob a alcunha de Jaqueta Amarela (uma das várias identidades de Pym nos quadrinhos) nos quarto de uma criança e num trem de brinquedo. Nada de raios azuis no céu ou batalha grandiosa contra grandioso exército, apenas algo simples, porém originalmente divertido.

Homem-Formiga foi o longa que encerrou a bem sucedida financeiramente e criativamente segunda fase da Marvel nos cinemas e pode ser considerado o filme que melhor se aproveitou da Fórmula-Marvel (herói carismático+boa história de origem+elenco de apoio funcional+vilão fraco). E, comprovando o poder alcançado pelo estúdio, obteve uma significativa bilheteria e mostrou que não importasse o quão fossem desconhecidos alguns personagens da Marvel, eles teriam um bom tratamento e reconhecimento nas telonas.

Nota:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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