Análise | Kickboxer: Retaliação

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Podem falar qualquer coisa dele, mas Jean-Claude Van Damme sempre será meu ator favorito. Mesmo não sendo um Daniel Day-Lewis, o baixinho belga sempre deu um show de carisma em suas obras e ganhou a simpatia de um grande público. Seus filmes marcaram as décadas de 80 e 90, onde os filmes de ação eram regados a explosões e músculos, com o diferencial de que envolviam artes marciais. E como eu sou da (saudosa) época em que a TV aberta reprisava seus longas a exaustão, criei um vínculo forte com o ator, a ponto de considerá-lo o motivo para eu me apaixonar pela sétima arte. Vencer ou Morrer, Soldado Universal, Cyborg: O Dragão do Futuro e o “cult” O Grande Dragão Branco deram fama ao ator, assim como o divertido filme “B”, Kickboxer: O Desafio do Dragão. O filme de 1989 trazia Van Damme no papel de Kurt Sloane, um jovem que deseja vingar a derrota sofrida por seu irmão para o cruel lutador Tong Po, passando a treinar o violento estilo Muay Thai. Contando com cenas icônicas, como o vilão chutando uma pilastra, Kurt derrubando uma árvore na base do chute e a sangrenta luta final, Kickboxer ainda ganhou 4 continuações, sem Van Damme e todas péssimas (a terceira parte se passa no Brasil e conta com a presença de Milton Gonçalves) .

Quando foi anunciado um remake, fiquei empolgado, principalmente com o retorno de Van Damme, agora no papel de Durand, mestre de Kurt (interpretado pelo habilidoso lutador Alain Moussi), e a contratação de Dave Batista (o Drax, de Guardiões da Galáxia) como Tong Po. E minhas expectativas foram atendidas em Kickboxer: A Vingança do Dragão (2016), uma eficaz homenagem ao original, com boas lutas e referências. Com um relativo sucesso, era questão de tempo até termos uma continuação e eis que acaba de estrear Kickboxer: Retaliação.

Na trama, Kurt Sloane é indiciado pela morte de Tong Po no final do filme anterior e obrigado a voltar para a Tailândia. Na prisão, é intimado pelo perigoso Moore (o eterno Highlander, Christopher Lambert, caricato e canastrão como nunca) a enfrentar o atual e invicto campeão de lutas ilegais, Mongkut (Hafþór Júlíus Björnsson, o Montanha de Game of Thrones), em troca de sua liberdade. Para o seu treinamento, Kurt contará com grandes lutadores da prisão (Roy Nelson, o ex-campeão Mike Tyson e nosso Ronaldinho Gaúcho, que entra mudo e sai calado), além de Durand, agora cego, graças a Moore.

Com um elenco desses, porradaria é o que não falta em Kickboxer: Retaliação, onde cada lutador tem seu momento para demonstrar seu talento. Seja na luta entre o protagonista e dezenas de prisioneiros numa longa sequência sem cortes, no embate entre Mike Tyson e Van Damme ou no embate final com Mongkut, o espectador sairá satisfeito no quesito ação. Van Damme cumpre bem seu papel de mentor, agora mostrando um vinculo mais emocional com Kurt. Já Björnsson pode não ser um bom ator como Dave Batista, mas não deixa de ser imponentemente assustador como o vilão.

Apesar de uma boa fotografia e uma edição eficiente, Kickboxer: Retaliação conta com várias cenas que não acrescentam nada a narrativa, como todo o prólogo num trem (que conta com a presença do lutador de MMA Wanderlei Silva) ou a perseguição de Kurt a um capanga num  canal. Fora isso, temos uma continuação digna que, apesar de inferior, diverte com ótimas lutas. E o melhor: Van Damme e companhia já tem retorno confirmado para o próximo ano, em Kickboxer: Armageddon. Mais uma vez, falem o que quiser, mas eu não deixarei de assistir por nada.

Nota:

 

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